Claudio Cardoso cursou Engenharia Elétrica (1979-1981), possui graduação em Psicologia (1988), mestrado em Comunicação e Cultura Contemporânea (1993), e doutorado em Tecnologia de Comunicação (1999), todos pela Universidade Federal da Bahia. Concluiu pós-doutorado em Comunicação Organizacional pela George Washington University (2008). É professor adjunto na Faculdade de Comunicação e no Núcleo de Pós-Graduação da Escola de Administração da UFBA. Fundou o Fórum de Inovação da Bahia (FGV EAESP UFBA). Diretor do Capítulo Bahia da ABERJE. Membro da Intercom, da Abrapcorp, da International Association Communication (ICA) e da International Association of Business Communicators (IABC), é também integrante de vários comitês editoriais de revistas científicas. Possui significativa experiência na área de Tecnologia de Informação e Comunicação, com ênfase em Comunicação Organizacional, atuando principalmente nos seguintes temas: comunicação organizacional, gestão da informação, tecnologias de informação e comunicação, e gestão de negócios.
Leia abaixo a entrevista com Prof. PHD Claudio Cardoso:
Como você avalia a Gestão da Comunicação nos negócios digitais?
As mídias digitais facilitam muito o acompanhamento do acesso á informação, ou seja, facilitam às empresas saberem quantas pessoas foram atingidas pela sua comunicação, quantas pessoas “navegaram” nos dados veiculados, como se comportaram em relação a elas, passivamente, ativamente, como compradoras etc. Mas não conseguem acessar a atitude das pessoas, aquilo que mais interessa. Em termos de gestão da comunicação as mídias digitais representam um avanço enorme, mas ainda estamos longe de entender as reais intenções dos consumidores, para onde está apontado o futuro.
Que tipo de risco corre uma empresa durante sua exposição nas mídias digitais?
Corre risco aquele que não entender com profundidade o que são as mídias digitais, ambientes comunicacionais altamente interativos, de grande visibilidade, opinativos, participativos, coletivos. Servem paar o diálogo, e poucas empresas estão prontas para isso, seja porque não possuem recursos para bancarem a intensidade da comunicação – contínua, veloz e permanente – seja porque não desenvolveu a prática do diálogo mesmo; não ouve feedbacks, não sinaliza para onde quer seguir, não se expressa de modo adequado. Se estas condições estiverem satisfeitas, as mídias sociais podem ser poderosas aliadas aos negócios.
Qual o perfil de um Gestor de comunicação estratégica nas mídias digitais?
Tem que ser uma pessoa conectada, mas não apenas à rede internet. Tem que ser conectada com o que está acontecendo no mundo da mídia, de forma crítica. Sobretudo, conectada com o negócio: qual o valor que ele gera, como ganha dinheiro, qual a estratégia de expansão etc. E tem que ter a capacidade de suportar críticas por vezes injustas, por vezes deselegantes. Tem que ter esta característica de saber suportar o tempo certo de reagir imediatamente, e de saber conduzir um debate para o crowdsourcing, ou seja, para que a própria comunidade reaja e debata em conjunto um determinado problema.
Que tipo de retorno uma empresa pode ter investindo em mídias digitais?
A empresa deve esperar um retorno em conquista de clientes e disseminação da sua marca. Deve esperar a consolidação, também, da sua credibilidade. Pode também esperar reações mais imediatas, de campanhas virais e de email marketing. Não apenas do relacionamento em redes sociais. Ou seja, a internet é um ambiente de comunicação organização quase completo: é difusor, é interativo, é massivo, é comunitário. Dá para esperar respostas rápidas, como o aumento nas vendas, por exemplo, e se souber conduzir – aí com um custo mais alto – dá para desenvolver a força da marca a médio e longo prazos também.
Que conselho você daria a um empresário que quer investir na Comunicação digital?
Antes de tudo, entre nas mídias digitais. Use-as em seu cotidiano. Acesse as novidades, se inscreva em redes e observe. Acesse as ações dos concorrentes e o benchmarking mundial. Saiba do que está acontecendo com um participante, mesmo na posição de observador. Se possível, teste sua habilidade de entrar numa discussão para aprender a forma de redação, os ritmos e o tipo de resposta que obtém. Em outras palavras, o velho e conhecido conselho: faça você mesmo. Não delegue a outros este conhecimento fundamental. Mesmo que depois alguém que não você vá executar a tarefa no seu dia-a-dia.


