Gestão da Comunicação em negócios digitais - Entrevista com Claudio Cardoso

sábado, 25 de junho de 2011
Falar sobre mídias digitais no contexto organizacional é sempre um desafio para os profissionais de comunicação. O que fazer, como fazer, quando fazer, quanto investir são indagações contínuas no cotidiano das atividades destes profissionais. A fim de esclarecermos um pouco desta relação entre empresas e mídias digitais, conversamos como o Prof. PHD Claudio Cardoso sobre o tema Gestão da Comunicação nos negócios digitais. 


Claudio Cardoso cursou Engenharia Elétrica (1979-1981), possui graduação em Psicologia (1988), mestrado em Comunicação e Cultura Contemporânea (1993), e doutorado em Tecnologia de Comunicação (1999), todos pela Universidade Federal da Bahia. Concluiu pós-doutorado em Comunicação Organizacional pela George Washington University (2008). É professor adjunto na Faculdade de Comunicação e no Núcleo de Pós-Graduação da Escola de Administração da UFBA. Fundou o Fórum de Inovação da Bahia (FGV EAESP UFBA). Diretor do Capítulo Bahia da ABERJE. Membro da Intercom, da Abrapcorp, da International Association Communication (ICA) e da International Association of Business Communicators (IABC), é também integrante de vários comitês editoriais de revistas científicas. Possui significativa experiência na área de Tecnologia de Informação e Comunicação, com ênfase em Comunicação Organizacional, atuando principalmente nos seguintes temas: comunicação organizacional, gestão da informação, tecnologias de informação e comunicação, e gestão de negócios. 

Leia abaixo a entrevista com Prof. PHD Claudio Cardoso:

Como você avalia a Gestão da Comunicação nos negócios digitais?

As mídias digitais facilitam muito o acompanhamento do acesso á informação, ou seja, facilitam às empresas saberem quantas pessoas foram atingidas pela sua comunicação, quantas pessoas “navegaram” nos dados veiculados, como se comportaram em relação a elas, passivamente, ativamente, como compradoras etc. Mas não conseguem acessar a atitude das pessoas, aquilo que mais interessa. Em termos de gestão da comunicação as mídias digitais representam um avanço enorme, mas ainda estamos longe de entender as reais intenções dos consumidores, para onde está apontado o futuro.

Que tipo de risco corre uma empresa durante sua exposição nas mídias digitais?

Corre risco aquele que não entender com profundidade o que são as mídias digitais, ambientes comunicacionais altamente interativos, de grande visibilidade, opinativos, participativos, coletivos. Servem paar o diálogo, e poucas empresas estão prontas para isso, seja porque não possuem recursos para bancarem a intensidade da comunicação – contínua, veloz e permanente – seja porque não desenvolveu a prática do diálogo mesmo; não ouve feedbacks, não sinaliza para onde quer seguir, não se expressa de modo adequado. Se estas condições estiverem satisfeitas, as mídias sociais podem ser poderosas aliadas aos negócios.

Qual o perfil de um Gestor de comunicação estratégica nas mídias digitais?

Tem que ser uma pessoa conectada, mas não apenas à rede internet. Tem que ser conectada com o que está acontecendo no mundo da mídia, de forma crítica. Sobretudo, conectada com o negócio: qual o valor que ele gera, como ganha dinheiro, qual a estratégia de expansão etc. E tem que ter a capacidade de suportar críticas por vezes injustas, por vezes deselegantes. Tem que ter esta característica de saber suportar o tempo certo de reagir imediatamente, e de saber conduzir um debate para o crowdsourcing, ou seja, para que a própria comunidade reaja e debata em conjunto um determinado problema.

Que tipo de retorno uma empresa pode ter investindo em mídias digitais?

A empresa deve esperar um retorno em conquista de clientes e disseminação da sua marca. Deve esperar a consolidação, também, da sua credibilidade. Pode também esperar reações mais imediatas, de campanhas virais e de email marketing. Não apenas do relacionamento em redes sociais. Ou seja, a internet é um ambiente de comunicação organização quase completo: é difusor, é interativo, é massivo, é comunitário. Dá para esperar respostas rápidas, como o aumento nas vendas, por exemplo, e se souber conduzir – aí com um custo mais alto – dá para desenvolver a força da marca a médio e longo prazos também.

Que conselho você daria a um empresário que quer investir na Comunicação digital?

Antes de tudo, entre nas mídias digitais. Use-as em seu cotidiano. Acesse as novidades, se inscreva em redes e observe. Acesse as ações dos concorrentes e o benchmarking mundial. Saiba do que está acontecendo com um participante, mesmo na posição de observador. Se possível, teste sua habilidade de entrar numa discussão para aprender a forma de redação, os ritmos e o tipo de resposta que obtém. Em outras palavras, o velho e conhecido conselho: faça você mesmo. Não delegue a outros este conhecimento fundamental. Mesmo que depois alguém que não você vá executar a tarefa no seu dia-a-dia.


As marcas contemporâneas e a velocidade da informação na internet

segunda-feira, 20 de junho de 2011
Mitchell Azevedo*

Nos dias atuais temos observado a concorrência das marcas, tanto em nível global, quanto local, nesse sentido, é necessário para a indústria fazer um exercício diário de envolvimento e de relacionamento, objetivando a fidelização de um consumidor cada vez mais aberto ao consumo.

Na mesma proporção que cresce a necessidade de fidelizar, cresce também a necessidade de produzir conteúdo para o consumidor, afinal, com os diversos meios de comunicação e com avanço da web 2.0, a informação ganhou em velocidade e buscar aproximação com o target deixou de ser diferencial e passou a ser crucial para a sobrevivência mercadológica de qualquer organização. Os modelos comunicacionais evoluíram, deixaram de ser tradicionais veículos de massa, onde exerciam uma comunicação vertical, rígida e monóloga e passaram a exercer uma comunicação personalizada, onde as marcas optam por entender as necessidades de cada consumidor de maneira única.

Diante dessa perspectiva, o marketing de relacionamento tem sido imprescindível para alcançar o consumidor, proporcionando às marcas maior possibilidade de lograr êxito, tendo em vista o amplo acesso do consumidor à internet. Nesse sentido, McKenna (1998, p. 51), afirma que, “expectativas cada vez maiores do consumidor afinado com a tecnologia podem ganhar impulso à medida que a infra-estrutura eletrônica possibilite interatividade entre produtores e consumidores e a dissemine.” Investir em novas tecnologias e profissionais qualificados podem gerar relacionamentos satisfatórios entre marcas e usuários.

Focar no consumidor por meio das redes sociais tem sido estratégia para envolver e estabelecer relacionamentos, a web 2.0 rompe os paradigmas da internet estática e proporciona uma revolução ao promover interatividade com o internauta ávido por novas experiências. Partindo desse principio, entendemos que o conteúdo gerado pelas marcas a partir da internet, além de fixar, podem tornar os consumidores integrantes vivenciadores de experiências únicas.

A digitalização da informação proporciona novas atitudes e novas posturas de atuação mercadológica para as marcas que visam se relacionar de forma mais ativa com seu target, a universalidade das mensagens que se interconectam e se renovam continuamente. É importante dizer que as novas tecnologias e novas formas de relacionamento com os consumidores não implica no fim da internet estática, mas alarma as marcas à necessidade de atentarem aos novos dispositivos proporcionadores de intercâmbios intrapessoais.

O digital é uma realidade e as empresas devem estar prontas para romper fronteiras em busca de posicionamento globalizado, interagindo e optando por uma convivência colaborativa com seus consumidores, oferecendo um ambiente virtual de conteúdo a baixo custo e ao mesmo tempo, um espaço para a livre troca de diálogos, troca de experiências e realizações pessoais.

*Mitchell Azevedo é Coordenador do curso de especialização em Gestão Estratégica da Comunicação Digital - Solaris, Professor do IESP/FATEC e ENSINE Faculdades. Especialista em Marketing pelo IESP e graduado em Relações Públicas. @MitchellAzevedo

LG Optimus - Inovação na propaganda em 3D

sexta-feira, 17 de junho de 2011
Não posso deixar de compartilhar com vocês este espetácula da tecnologia com a comunicação. Apreciem!

Até onde vai a tecnologia na comunicação? Outdoor da LG em 3D na Alemanha.

Não posso deixar de compartilhar com vocês este espetácula da tecnologia com a comunicação. Apreciem!

"Sofia" por Mayana Neiva

quinta-feira, 16 de junho de 2011
Será lançado, dia 18 de Junho, em João Pessoa, às 16h, na Livraria Leitura, térreo do Manaíra Shopping, o livro "SOFIA" de autoria da atriz e escritora Mayana Neiva. Com muita criatividade ela apresenta os sonhos de uma criança que ao engolir o sol.....Acho melhor todos comprarem o livro.





Breve reflexão sobre os relacionamentos corporativos nas mídias sociais

Por Marcello Chamusca*

As relações corporativas se dão, em geral, baseadas em valores como competitividade e atributos individuais, tendo historicamente um predomínio da cultura darwinista, em que os mais fortes sempre se sobressaem aos mais fracos. Quando vamos refletir sobre essas relações no âmbito das mídias sociais, em que há um predomínio da cultura da colaboração e participação, percebe-se a necessidade de serem repensadas estruturalmente.
Para começar a se pensar as relações nesse novo âmbito é necessário se partir do pressuposto de que os processos de comunicação e relacionamento das organizações precisam se voltar para o estabelecimento de um ambiente de cooperação, ambiente esse que só pode ser atingido quando são instituídos instrumentos que permitem a interação requerida pelo novo perfil do “consumidor” da informação, e que visem, efetivamente, a qualidade da relações estabelecidas entre as organizações e seus públicos, dentro e fora do ambiente on-line.
É importante observar que, apesar das possibilidades de interações técnica e social das mídias digitais estarem à disposição das organizações, estas não têm sido convertidas em instrumentos efetivos de comunicação e relacionamento que possam conformar uma nova realidade informacional global para elas, a partir de intervenções práticas, específicas e sistemáticas, nos territórios híbridos estabelecidos entre o espaço físico e o informacional.
O que tem ocorrido, na grande maioria das organizações, é a importação de modelos de comunicação e de relacionamento do ambiente físico (off-line) para o ambiente virtual (on-line), sem as devidas adaptações e o planejamento específico para a sua inserção na rede. Este é o grande equívoco que deve ser revisto pelas organizações contemporâneas, sob pena de verem sucumbir seus projetos on-line, uma vez que o comportamento dos públicos de uma organização, fora e dentro da rede, têm características totalmente diferenciadas.
Ao agir numa ambiência regida por uma determinada lógica, tomando como base uma outra lógica, que muitas vezes pode ser considerada antagônica a anterior, as organizações comentem um grave erro, visto que as suas ações se tornam desencaixadas, proporcionando os casos de fracasso que temos visto, aos montes, produzidos pelas empresas que se aventuram no ambiente ainda nebuloso das mídias sociais.
Por outro lado, é quase consensual a noção de que a participação das empresas nessa ambiência é condição sine qua non para sua sobrevivência em médio e longo prazos, uma vez que o fato da organização decidir atuar ou não nesse ambiente, não a exclui dele, pois diversos públicos com os quais ela se relaciona estarão lá, deixando as suas impressões, comentando as experiências que tiveram com os seus produtos e muitas vezes fazendo críticas ferozes, com a possibilidade de ser reverberada por centenas de milhares de pessoas que estão direta ou indiretamente ligadas à sua rede de relações. Tudo isso, sem a sua versão dos fatos, apenas sob o ponto de vista do crítico.
Nesse sentido, acredito que cabe especular que um possível caminho para as organizações seguirem nas mídias sociais é o de se despirem do conceito que sempre tiveram de mídia como ferramenta, ou seja, como algo que deve ser utilizado para solucionar problemas ou colaborar com a consecução de alguma das suas metas estratégicas. As mídias sociais não podem e não devem ser utilizadas como ferramentas. A lógica é outra. As mídias sociais são para se fazer parte, para se inserir, colaborar, participar, interagir...
Dito isso, para concluir essa breve reflexão, levanto uma tese, ainda um tanto quanto discutível, de que qualquer idéia de gestão desse processo pode se configurar em mero discurso retórico, afinal não temos como gerir algo que não nos pertence, em que somos apenas co-participantes, sem privilégios de acesso ou controle do processo. Talvez aí, por esse caminho, esteja um indício de um “lugar” mais seguro para se estabelecer relacionamentos corporativos no âmbito das mídias sociais.

*Marcello Chamusca é Coordenador da pós-graduação em RP da FBB; prof. do IFBA, FBB, F2J, FAB, Solaris e FJT; secretário da ALARP-Brasil; diretor do Portal RP-Bahia

Quem Mexeu no Meu Público?

Por Rubens Gualdieri*

Se o best-seller do mundo administrativo “Quem Mexeu no Meu Queijo” (Johnson, Spencer), instiga a refletir sobre como lidar com as mudanças do camaleão corporativo, o título convida os profissionais de Relações Públicas – eu, tu, ele, nós, vós, eles – a refletirem como a comunicação digital mudou a maneira que o “público” se relaciona com as organizações. Vamos chamar de “público”, desde stakeholders mapeados no planejamento estratégico, até o indivíduo que apenas conhece a organização pelo nome, mas que, a qualquer momento irá interagir com ela, graças as possibilidades proporcionadas pelas diversas ferramentas digitais de comunicação.

Atualmente os Relações Públicas assumiram (ou precisam assumir) uma posição onisciente na comunicação. Como treinar um porta-voz, responsável pelo posicionamento oficial da empresa, quando todos os colaboradores são “porta-vozes”? Twitter, Facebook, Orkut, SMS, emails e até os mais simples mensageiros eletrônicos (MSN, Skype, Chat do Facebook) são poderosos veículos de comunicação em tempo real. São posicionamentos oficiais? Lógico que não. Existem ruídos? Muitos. Os limites das organizações ultrapassaram portões e catracas e chegam a milhares de interlocutores com um simples click do mouse.

Assessores de Imprensa precisam entender o novo “jornalista” que existe, a começar pelo fato dele, não necessariamente, ser um jornalista. Se até então o press release, com seu formato consagrado tem funcionado muito bem, obrigado; hoje o assessor precisa adaptar o formato das suas sugestões de pautas e informativos, de maneira que esse formador de opinião entenda e ache convidativo. É preciso atuar em um escopo muito maior que a mídia tradicional offline: antes, jornal, revista, rádio e televisão. Hoje, todas as mídias tradicionais, mais a convergência em blogs especializados, formadores de opinião nas redes sociais, portais de notícia e sites estáticos. Cada um com sua linguagem adequada e conteúdo apropriado ao meio.

Os SACs e demais canais de atendimento estão migrando para as redes sociais – seja por ineficiência desses canais ou preferência do consumidor que espera uma rápida solução. A técnica de “xingar muito no twitter” trouxe junto um indigesto efeito colateral aos Relações Públicas: como atender a demanda de consumidores que procuram as redes sociais, sem arranhar a imagem das organizações? Presenciamos um fenômeno em que as empresas viraram reféns das redes sociais. A técnica do “ou você resolve meu problema ou vou espalhar pra todo mundo que a sua empresa é uma porcaria” tem dado bons resultados. Mas, a pergunta que fica para os Relações Públicas é: essa técnica é sustentável a longo prazo? Seria o caminho extinguir os SACs e migrar todo o atendimento para as redes sociais? Ou o correto é dar o rápido atendimento que o cliente espera nas redes, também nos outros canais? Perguntas, perguntas, perguntas... quem mexeu no meu público?

E as ações de envolvimento com a comunidade? Se antes os Relações Públicas conversavam com líderes comunitários em uma mesa, hoje os líderes comunitários estão atuando fortemente em campo e apoiados por seus blogs que contam com a participação e influência de praticamente todo o mundo. Grande parte das comunidades já são .org e o Relações Públicas que não entender essa dinâmica, corre o risco de ter uma comunicação de mão única: somente a sua mão. Além dos anseios da comunidade que faz parte do planejamento das organizações, o profissional precisa compreender os anseios que os envolvidos com as comunidades esperam delas. Mais uma vez a onisciência precisa fazer presença, entender o que o “stakeholder do stakeholder” quer. As ferramentas permitem isso, mas o profissional de Relações Públicas dispõe de mão de obra para alocar toda essa informação e assim traçar a melhor estratégia de ação?

Enfim, as ferramentas de comunicação e interatividade permitem que até saibamos onde o nosso público está. Prova disso é o Foursquare, aplicativo em que o usuário registra sua presença a cada visita e ainda publica uma dica para outros usuários que visitarem o local. Uma dica que pode ser um elogio e uma recomendação, mas também pode ser uma crítica sobre o atendimento ou serviço prestado, com o plus de ser irradiado via twitter e Facebook. As organizações estarão nas redes sociais, quer elas queiram ou não.

O público – esse novo público – quer mais do que apenas consumir, ele quer interagir e se relacionar com as empresas. Que os profissionais de Relações Públicas estão preparados para montar redes de relacionamento, não existem dúvidas. O crucial é saber como abrir várias frentes de relacionamento, com tantos públicos distintos – ora fazendo parte dos públicos estratégicos, ora casuais – e ainda assim, manter um discurso único, direcionado a cada perfil e veicular um posicionamento oficial da organização.

A fórmula para o problema não é simples, ao contrário, é complexa e demanda estudo e empenho, principalmente em aceitar que esse público realmente mudou. Não cair na armadilha com o pensamento que Relações Públicas são os profissionais “ideais” para as redes sociais, também ajuda muito. Relações Públicas lançam mão das redes sociais em suas estratégias de comunicação com os públicos, mas não são operadores. Isso seria abrir mão da função estratégica para operacionalizar a comunicação.

Um bom começo é a consciência que mexeram com o público e nada mais será como antes. Promover as mudanças necessárias é inerente ao profissional de Relações Públicas, que jamais irá parar e perguntar ao vento: “quem mexeu no meu público”?



*Rubens Gualdieri é Relações Públicas, redator publicitário, interatividade e geração de conteúdo da Jota Propaganda. Tem twitter e não posta nada de Relações Públicas, afinal, tem muita gente ótima fazendo isso.

Google Analytics lança ferramenta que incorpora redes sociais

sexta-feira, 10 de junho de 2011
Google Analytics lança ferramenta que incorpora redes sociais

Reuniões improdutivas - As cansativas reuniões com pouco resultado é um mal necessário?

quarta-feira, 1 de junho de 2011
O tema do artigo é algo que ninguém está isento, independente das carreiras escolhidas e níveis hierárquicos: são as cansativas reuniões improdutivas. Considerarei, nesta análise, apenas reuniões presenciais. São duas notícias, uma boa e outra ruim. A ruim é que esta doença corporativa nos seguirá até o final de nossas vidas e o lado positivo é que ela tem cura, desde que toda empresa se empenhe em mudar este sintoma.

As estatísticas mostram que o nível gerencial passa 50% de seu tempo em reuniões. Já a diretoria gasta ¾ de um dia de trabalho enclausurada em reunião. É muito tempo perdido. Quando afirmo que este “mal” nos seguirá até o final das nossas vidas, é por que acredito que há uma relação direta entre as reuniões improdutivas e o ser humano, isto mesmo, trata-se de uma característica comportamental organizacional. Duvida? Veja alguns motivos:

- Olha como eu trabalho - Os gerentes usam as reuniões para mostrar que, efetivamente, estão trabalhando, tanto para subordinados quanto para níveis superiores.

- Poder / Carência - Alguns usam as reuniões pelas falsas sensações de aceitação (característica simples de comportamentos de grupos), além de poder, principalmente quando assume a função de mediador ou quem tem a palavra.

- Todos fazem mesmo - As reuniões são feitas simplesmente porque todo mundo faz. O motivo não interessa, se virou gerente é quase um pré-requisito.

- Quem está na reta? - Reuniões servem para buscar, constantemente, culpados em todos os níveis e criar alianças.

- Deixa para a próxima - A procrastinação também é um bom motivo, convoca-se uma reunião para marcar a outra e postergar a decisão, criando-se um ciclo sem fim.

Pesquisando mais sobre o tema descobri que, devido à insatisfação geral, empresas como Pão de Açúcar e Colgate estão contratando ou treinando mediadores de reunião. Estes profissionais têm conhecimento específico para liderar discussões, possuem técnicas de gestão do tempo e também são responsáveis por evitar que as pessoas cheguem à reunião sem saber a pauta, por manter o foco do debate e por garantir que todos saiam do encontro com atividades definidas. Vamos, então, aos possíveis remédios:

Remédios tarja vermelha

1 – Defina claramente o tema - A literatura sobre a metodologia das reuniões recomenda que a agenda esteja previamente estabelecida e que todos os participantes tenham conhecimento dela.

2 – Marque horário para começar e terminar - O término é mais importante que o início. Comece na hora mesmo que todos não estejam na reunião, pois isto forçará que os atrasados se apressem nas próximas.

3 – Mantenha o número mínimo de pessoas - Reuniões grandes são mais improdutivas que menores. Se o processo de decisão envolver muitas pessoas, faça outros encontros com a mesma agenda.

4 – Foque sempre - Se alguém estiver saindo do tema, não o corte. Agradeça a participação e explique gentilmente que não é o momento. Reunião deveria ser similar ao Twitter para que todos falassem suas ideias em 140 caracteres.

5 – Desligue os celulares - Só atenda o telefone se for Deus ou o Presidente (não seria um sinônimo?)

Remédios tarja preta (uso controlado):

1 - Fique de pé - Ficar em pé gera um desconforto que serve como bom motivo para agilizar as decisões;

2 – Fuja da sala de reunião - Autores norte-americanos e novos gestores da geração Y sugerem reuniões no corredor ou em local aberto (varanda ou saguão) para que os participantes fiquem expostos e não caiam na tentação de “empurrar as soluções com a barriga”. Alguns mais radicais cortam até água e café.

Parece simples, mas não é, requer disciplina e controle, principalmente de egos. Se você, assim como eu, se sente incomodado com estas discussões intermináveis, divulgue este tema na sua empresa. Caso não dê certo, tente acertar em cheio o bolso da sua empresa.

Indique um site interessante, chamado Meet or Die: nele você poderá incluir quantas horas durou sua última reunião, qual o setor que trabalha, o tamanho da sua empresa e os cargos dos participantes para, a partir dos dados, descobrir quanto dinheiro foi desperdiçado nesta reunião pela sua empresa. Talvez esta seja a única cura deste eterno sintoma.

Depois me diga se deu certo.

Augusto Uchôa (Graduado em Comunicação Social pela ESPM, mestre em Administração de Empresas pelo Ibmec-RJ com especialização em Marketing, doutorando pela Coppe/UFRJ, consultor de empresas e fundador do Boteco do Conhecimento. Atualmente ministra aulas pelo IBMR-Laureatte e palestras sobre os temas Marketing, Negociação, Serviços e Relacionamento)

FONTE: Portal HSM
30/05/2011

Seis passos para potencializar os negócios no meio digital

O que uma empresa de treinamentos, uma loja especializada em decoração e uma metalúrgica podem ter em comum? Mais do que você pode imaginar. O Grupo Luz, a PortCasa e a Geguton comemoraram crescimento de até 120% em seus negócios em um ano marcado pela crise econômica mundial que derrubou diversos países (e companhias) e fez o governo celebrar o crescimento zero apresentado pelo PIB brasileiro como uma façanha. Para alcançar estes resultados, as três investiram na internet como uma de suas principais ferramentas de vendas.

O Grupo Luz, de Ribeirão Preto, aumentou em 40% o número de matrículas de seus cursos de fotografia com campanhas nas mídias e redes sociais. Em São Paulo, a PortCasa cresceu 120% em apenas um ano investindo pesado em marketing digital para sua loja eletrônica. E a gaúcha Geguton aumentou seu cadastro de clientes ativos em 70% ao facilitar as compras em seu site.

São exemplos concretos de empresas que estão aproveitando para surfar na grande onda da internet no Brasil, que já engloba 66 milhões de brasileiros, praticamente um terço da população.

Números, aliás, não faltam para justificar os investimentos em marketing digital no país. O brasileiro é o que passa mais tempo online no mundo, uma média de 44 horas/mês, e está entre os que mais acessam as redes e mídias sociais como Orkut e Twitter.

Com uma presença tão marcante, não é à toa que a internet seja cada vez mais importante, inclusive na forma como compramos. Pesquisa realizada recentemente pelo Datafolha revelou que 38% dos consumidores das classes A e B e 30% da classe C levam em consideração informações de sites para escolher produtos, marcas e lojas. São as pessoas que movimentaram cerca de R$ 10,5 bilhões no comércio eletrônico em 2009.

Para se obter taxas de crescimento de dois a três dígitos por ano não basta jogar a prancha na água, ou seja, montar o site ou loja virtual e esperar os contatos e pedidos. Requer planejamento de uma série de ações de comunicação, o que chamamos de marketing digital. E a rápida evolução da tecnologia, o surgimento de novos recursos e tendências faz com que estas ações tenham de ser cada vez mais coordenadas para atingir seus objetivos. Seguem abaixo os principais recursos e como podem ser melhor utilizados para alavancar seus negócios.

Site com “usabilidade”: usabilidade significa facilidade de uso. Quanto maior a usabilidade em um website, maior a rapidez do usuário em aprender a utilizá-lo e a encontrar o que procura. Quanto mais fácil e mais rápido for encontrar o que interessa, maior a satisfação da pessoa que o visita e maiores as chances de um contato efetivo. Ou seja, a palavra de ordem hoje é simplicidade, portanto nada de sites pirotécnicos, com introdução animada, geralmente feitos com programação Flash, que demoram uma eternidade para carregar. Ninguém tem mais paciência para isso.

Confira seis maneiras de potencializar recursos já existentes na web 2.0 e alavanque seus negócios.

Otimização: é também chamada SEO (das iniciais em inglês para Search Engine Optimization, otimização para mecanismos de busca). De forma simples, a otimização pode ser entendida como uma série de técnicas para estruturar as principais informações sobre a sua empresa, produtos e serviços contidas no site de forma a serem mais facilmente localizadas pelos buscadores. A base desta organização são as palavras-chave, frases e títulos dos conteúdos do site, que devem ser específicas, constantemente atualizadas e estar diretamente relacionadas aos negócios, serviços ou produtos da empresa. Mas atenção: a otimização só funciona em sites construídos em uma programação que permita aos buscadores identificarem estas palavras, por isso mais um motivo para não usar o Flash, pois além de tornar o site mais “pesado” para carregar, também dificulta a localização das palavras-chave.

Publicidade online: é a propaganda feita na internet e se divide de duas formas. A primeira é por meio de links patrocinados em sites de busca, como o Google Adwords ou o Yahoo! Search Marketing, e é indicado para venda direta. Por exemplo, se você possui uma loja de câmeras fotográficas, pode vincular seu anúncio para aparecer ao lado dos resultados relacionados à fotografia.
A segunda é por meio de anúncios (também chamados banners) em sites, redes e mídias sociais relacionados ao produto ou serviço, sendo indicada como publicidade institucional. Nesse caso, o ideal é vincular o anúncio da sua loja de câmeras fotográficas em sites e comunidades especializados em fotografia.
As duas vêm revolucionando a publicidade por serem extremamente acessíveis (qualquer empresa pode iniciar sua própria campanha com orçamento modesto) e permitir a mensuração dos resultados das mais diversas maneiras, sendo ideal para pequenas e médias empresas. Porém, a simplicidade em criar e colocar no ar as campanhas pode ser enganosa. Se não forem atualizadas constantemente para acompanhar as mudanças da concorrência, corre o risco de não gerar os resultados esperados.

Inteligência de mercado: os mecanismos de busca como o Google oferecem gratuitamente ferramentas para monitoramento. Permitem mensurar, por exemplo, qual a “audiência” do site da empresa (origem geográfica, páginas mais visitadas, tempo de permanência, como o internauta chegou ao site, quais conteúdos influenciam no processo de compra) e a tendência e procura mensal por palavras-chaves (entendam-se, neste caso, produtos ou serviços oferecidos por sua empresa), assim como o posicionamento do site e dos concorrentes nas pesquisas. É uma forma eficaz e acessível de inteligência de mercado.

Redes Sociais: Redes sociais como Orkut, Facebook, Plaxo, MySpace etc, assim como as mídias sociais (Twitter, Flickr, Slideshare e congêneres) são o grande tema do momento da mídia. Diariamente surgem casos de empresas que as utilizaram com sucesso, levando muitos especialistas a declarar que o futuro dos negócios está nestas plataformas.
Exageros à parte, não há como contestar sua importância como canais de comunicação direta entre a empresa e seus clientes. Mas antes é preciso entender como funcionam, como seu público-alvo interage e, com base nestas informações, definir as mais adequadas, monitorando os resultados.

Email Marketing: a propaganda por email é uma das mais conhecidas e eficazes ferramentas de marketing digital que se tem notícia. Pesquisa realizada recentemente revelou que 64% dos entrevistados afirmaram fazer compras após o recebimento de um email promocional. Em contrapartida, é uma das mais mal utilizadas. O primeiro passo de uma campanha é estabelecer objetivos e uma estratégia sobre como utilizar as diferentes formas de mensagem. Um email marketing pode ter diferentes propósitos: transmitir informações relevantes para o receptor (caso das newsletters), oferecer uma promoção, destacar os diferenciais de seus produtos e serviços, ser uma ferramenta de relacionamento (com cumprimentos de aniversário, ano novo, novo cliente, promoção no cargo etc).

Silvio Tanabe (Consultor de marketing digital da Magoweb e autor do blog Clínica Marketing Digital - www.magoweb.com/clinicadigital)

Fonte: HSM Online
19/03/2010

Clay Shirky defende uso das redes sociais nas empresas como estratégia de relacionamento.

SÃO PAULO – O ensaísta, pesquisador e escritor americano Clay Shirky defendeu hoje, em São Paulo, que as redes sociais não são pura perda de tempo e disse que a colaboração online pode revolucionar a política e a educação no mundo.
Autor do livro “A Cultura da Participação” e articulista de publicações como NY Times e Wall Street Journal, Clay visitou São Paulo a convite da operadora Vivo para falar sobre o futuro da internet.
Na opinião do guru americano, as principais contribuições que a web trará às pessoas nos próximos anos não serão tecnológicas, mas sim sociais. “Muita gente possui tempo livre e pode usá-lo a favor de ações sociais sem sair de casa, simplesmente usando a web. Pessoas podem atuar, por exemplo, disseminando conteúdo educacional de forma colaborativa”, anotou.
Shirky citou recentes mobilizações sociais no Quênia e na Índia que se basearam no uso da web para organizar as pessoas em torno de ações contra a violência e a favor da educação.
“A internet, por meio de um movimento colaborativo, pode melhorar muito a educação em vários países. Estudantes de várias partes do globo podem se ajudar a aprender”, afirmou. Um obstáculo óbvio ao uso da web para esse fim é o fato de muitas pessoas não terem acesso à banda larga hoje em dia. “Infelizmente, metade da população mundial ainda está sem acesso à internet” disse.
Questionado sobre o real papel das redes sociais, como Twitter e Facebook, Shirky disse elas são usadas para compartilhamento de assuntos banais, mas também podem ser um meio de abordar questões mais sérias.
“Redes sociais têm coisas bobas e coisas sérias. Podem ser usadas para discutir sobre futebol, fazer piadas e tratar de temas divertidos, mas ao mesmo tempo podem causar uma revolução. É possível passarmos de discussões mais sérias para debates sobre coisas banais e vice-versa”, opinou.
Shirky também tratou sobre o uso das redes de relacionamento social por parte das empresas. “As empresas podem usar as redes sociais, como o Twitter, para interagir com os clientes. Não só para promover seus produtos. Um exemplo disso é a Best Buy, que usa a ferramenta para ajudar o consumidor quando ele tem alguma dificuldade ou encontra algum problema com algo que comprou. A rede social tem essa função colaborativa”, declarou.
fonte: http://info.abril.com.br/noticias/mercado/clay-shirky-defende-internet-colaborativa-01062011-42.shl