Conheça alguns cases sobre empresas que estão utilizando o poder dos usuários na internet para inovar em seus negócios e transformar o mundo.Monitorar dados de seus clientes, transformá-los em informações e aplicá-los em seus negócios, transformando-os através da visão destas pessoas, é o que chamamos hoje de inovação aberta. O poder está na mão dos usuários, que não são mais uma audiência, mas veículos que produzem e transmitem conteúdo pela web. Ter conhecimento do que eles falam nas redes e usar isso a favor é essencial. Alguns cases:
KLM – Reclamações via Twitter geram insights para novo voo: um holandês twittou sobre a falta de voos diretos de Amsterdam para Miami, gerando grande repercussão na rede por DJs, promoters e profissionais da área de festas e baladas. A empresa aérea lançou um desafio: criaria o voo Amsterdam-Miami se os 351 assentos fossem reservados antes do dia 6 de dezembro de 2010. Em 5 horas, os assentos se esgotaram!
Marca de roupa H&M pede inspiração para blogueira de moda: Elin Kling, uma famosa blogueira de moda sueca, chamou à atenção de grandes marcas de moda e se uniu a H&M do seu país para lançar uma linha de roupa baseada em seu estilo. As roupas refletem uma mulher moderna, minimalista e boêmia.
O domínio do vídeo online
De acordo com um estudo da Cisco, haverá um crescimento de tráfego de dados global de mais de 30% ao ano até 2014, no qual a soma de todos os tipos e formatos de vídeo (TV, Internet, on demand etc) ultrapassará 91% deste tráfego. E o vídeo online representará sozinho, 57% de todo o tráfego online consumido em 2014. Alguns cases:
Faculdade de Londres oferece curso de graça pelo Facebook: London School of Business and Finance anunciou que quer facilitar o acesso à educação de qualidade. Sem custo, qualquer estudante com um computador conectado pode se cadastrar para as aulas no Facebook, e só pagar se decidirem usar o curso como créditos para a faculdade. No Facebook, terão aulas em vídeo e grupos de discussões, tudo acessível se você “curtir” a página. http://www.lsbf.org.uk/
Ford documenta sua campanha de apoio a ONGs: a Ford lançou, no final do ano passado, o projeto The People’s Fleet, que emprestou 12 Ford Fiestas para 12 ONGs de Los Angeles, visando ajudar esses grupos a economizarem dinheiro, divulgar seu trabalho e ainda resolver os problemas de transporte. Para maior divulgação e envolvimento do público, essa campanha está sendo documentada, com vídeos semanais sobre o trabalho dessas ONGs. http://www.thepeoplesfleet.com/
Maximizar o digital no real
Nike InterTwitter Race: unindo a corrida offline “10k” com uma corrida por followers no Twitter: a Nike 10K de Buenos Aires desafiou a noção do que significa ter e ganhar “seguidores”, competindo com seus concorrentes, tanto em uma corrida real quanto no Twitter. Uma colaboração entre a Nike, a BBDO Argentina e + Castro resultou na corrida online+offline InterTwitter Nike, um aplicativo que compara e visualiza o número de seguidores que um corredor tem na corrida 10k (através do seu histórico de corridas) e o número de seguidores do Twitter que conseguiram gerar e manter online. Além disso, são gerados desafios virtuais entre os competidores, executados em vídeos customizados e integrados ao Google Earth. http://werunbuenosaires.com/intertwitter/
Customização de produtos via Facebook: a BMW Itália está oferecendo aos seus fãs no Facebook a oportunidade de apresentar seus projetos de design de carro. Os fãs podem votar em seus designs favoritos. O vencedor da competição terá seu projeto realizado como um carro de edição limitada. Fan Page: http://www.facebook.com/BMW.Italia
Pop-up store no Facebook: em março de 2011, a Fan Page do ketchup Heinz no Reino Unido ofereceu aos seus fãs a oportunidade de experimentar uma edição limitada do produto, através de um ecommerce “pop-up” no próprio Facebook. Foram disponibilizadas 3.000 garrafas de catchup vinagre balsâmico para compra, criando um buzz em torno do novo produto. Os usuários eram obrigados a “curtir” a página para acessar a oferta. Fan Page: http://www.facebook.com/HeinzKetchupUK?sk=app_194477550575090
O valor dos 3 F – Fan, Followers e Friends
Branded content: valorizar a marca e, quem sabe, vender
De blogs à Tumblrs, branded content tem sido uma das principais estratégias de marketing online de marcas de moda – exemplos de sucesso na comunicação online, que necessitam de formas inovadoras para se conectar com seus clientes. O branded content tem vários propósitos: entretenimento de clientes, publicidade, engajamento social, venda de produto. Marcas que produzem conteúdo estão a um passo a frente, tendo em mãos uma ferramenta que blogueiros e qualquer outra mídia podem compartilhar. Em 2011, o branded content é tendência para alavancar marcas no meio online. Alguns cases:
Louis Vuitton – NOWNESS: a marca conta, a partir de uma curadoria e produção de conteúdo, seu mundo, sua história e das pessoas que contribuem para a marca. Seja por escrito, por fotografia ou vídeo. Através de NOWNESS – Twitter, Facebook, YouTube e o próprio site, que virou referência de moda e luxo – a Louis Vuitton criou uma comunidade que compartilha conteúdo mundialmente, passando o valor de sua marca e atingindo uma nova fronteira de influenciadores. http://www.nowness.com/
A ascensão dos social games
Cerca de 68,7 milhões de americanos estarão jogando socialgames até 2012 - segundo eMarketer. Os social games avançam a cada dia devido aos objetivos simples de cada jogo: diversão, competição e cooperação. O sucesso de cada game acaba sendo associado também à popularidade do próprio site. Para as empresas, a contextualização da marca no ambiente do social game é essencial para ampliar sua visibilidade e obter consumidores fiéis e engajados. Além disso, o fácil acesso às informações (perfil, preferências etc) de usuários amplia a possibilidade de oportunidades tanto para desenvolvedores quanto para anunciantes.
Jogue Street Fighter 2 dentro do Facebook: os fãs da franquia Street Fighter que ainda lembram com carinho da época em que o game era encontrado em qualquer arcade agora podem matar as saudades com um novo aplicativo para o Facebook.
Social commerce humanizando marcas
O DNA do social commerce são os relacionamentos, as conversas, a volta do comércio nas praças públicas na década de 1970. O social commerce requer que as empresas ajam como humanas. No lugar de procurar por informações, os consumidores estão descobrindo coisas através de referências e recomendações de quem confiam. Mais do que um mediador de CTR (click-through rates), isso requer ajustes, como os dois abaixo levantados pelo Techcrunch:
• Praticar a arte da conversa: social commerce não é “captura de leads” ou construir enormes “bases de dados”. É falar com pessoas com uma voz autêntica, a mesma voz que usaria se estivesse falando com os usuários pessoalmente. Afinal, as empresas estão falando com seus clientes no mesmo lugar em que eles constumam conversar com seus amigos.
• Construir um relacionamento mais forte com o consumidor: consumidores são um network confiável, uma comunidade que rodeia os negócios. Cuidando dos clientes, as empresas não apenas construirão melhores relacionamentos, mas também abastecerão seus níveis de confiança como fonte de referências e recomendações.
• Foursquare lança recurso com foco no Social Commerce: o novo recurso permite que os consumidores sejam alertados quando existir alguma oferta próxima de sua localização. A nova ferramenta tem como objetivo impulsionar as receitas da empresa. No momento, o “ShopAlert” (serviço que opera através de geolocalização) está disponível apenas em quatro cidades dos Estados Unidos: Chicago, Los Angeles, Nova York e San Francisco. O novo recurso também possui algumas funcionalidades para fornecedores interessados em anunciar suas promoções. O “Foursquare Merchant Platform” é gratuito, e permite aos fornecedores segmentarem as ofertas por sexo, dia, hora, entre outros.
Geolocalização + crowdsourcing
Red Bull Street Art View
Houve um grande buzz sobre o Google Art Project, uma ferramenta que proporciona aos usuários visitas virtuais em alguns dos melhores museus do mundo. A Red Bull se inspirou nisso e criou um mashup com o Google Street View, o Red Bull Street Art View, que permite às pessoas taguear suas peças favoritas de arte de rua ao redor do globo – e compartilhá-las com outros usuários.
As obras podem ser pesquisadas por local ou por autor através do mapa do Google. Ao se aproximar da obra, o mapa se transforma no Google Street View, mostrando em detalhes os melhores graffittis do mundo. Após poucos dias no ar, a plataforma já tem mais de 200 muros marcados em vários países, incluindo nomes como Keith Haring, Os Gêmeos e Banksy.
Crowndsourcing e a abundância das multidões
(Emprestei o texto de Erica Brasil)
“O conceito de Crowdsourcing vem ganhando cada vez mais relevância no mundo. O termo estreou em uma reportagem de Jeff Howe Page para a revista americana Wired em 2006 e hoje contabiliza sucessos, fracassos e algumas variações na definição. Em inglês, resulta da junção de “crowd” (multidão) com “sourcing” (fonte, também interpretado como terceirização). “Inteligência Coletiva” e “Open Innovation” são reconhecidos como sinônimos.
Trata-se de apresentar um desafio ou problema para um grupo de indivíduos, permitindo que eles participem de um processo no qual são apontadas soluções criadas e aprimoradas coletivamente.
Foi assim com a Colgate-Palmolive, que precisava descobrir uma forma de inserir o pó de flúor no tubo da pasta de dente sem que ele se dispersasse pelo ar. Ed Melcarek já sabia a resposta antes mesmo de terminar a leitura: transmitir uma carga elétrica ao pó faria com que ele fosse atraído para o tubo. Assim, o criativo cientista aplicou seus conhecimentos em foguetes, ganhou 25 mil dólares e ajudou a empresa, que gastaria um valor muito superior em Pesquisa e Desenvolvimento para talvez chegar à mesma conclusão.
A era da transparência: mobilizações de uma geração conectada
A Revista Time considerou Wael Ghonim (do Google), que teve papel-chave na mobilização via redes sociais que acelerou a queda do ditador egípcio, um exemplo marcante do nascimento desta nova era.
“Não houve um herói, porque todos foram heróis.” E também disse: “O poder das pessoas é muito mais forte do que as pessoas no poder.” (Wael Ghonim, do Google)
Três casos recentes nos fazem refletir sobre como as transformações tecnológicas e redes sociais estão catalizando esse processo de busca de transparência dos indivíduos.
Quando o presidente mundial do Burger King, o brasileiro Bernardo Hees, fez comentários depreciativos sobre as mulheres e a comida britânica em uma palestra para estudantes no EUA, a polêmica correu o mundo após publicação em um jornal estudantil de Chicago, da universidade para o mundo.
Ou quando os alunos da tradicional escola Arquidiocesano, de São Paulo, se mobilizaram contra o aumento dos salgados na cantina, com direito à hashtag #abaixoacalu que, por cerca de 24 horas, foi um dos assuntos mais comentados do Twitter.
Kassab também enfrentou uma manifestação em Paris, onde um grupo de brasileiros rebatiam o aumento das passagens de ônibus em São Paulo como solidariedade aos familiares e colegas da terra natal. Em Paris, os manifestantes diziam: “a vergonha que foi o aumento das tarifas em São Paulo agora ficará conhecida em todo o mundo”.
Tudo isto, me relembrou meu TEDXPortoAlegre.
Onde questionei, o que faz a humanidade gastar 600 milhões de horas editando a Wikipedia? O que faz um astronauta fazer check-in fora do planeta Terra? O que faz 100 mil pessoas serem voluntárias dos Jogos Olímpicos de Londres? O que faz gastarmos 1 trilhão de horas interagindo nas redes sociais? Se apenas 5% do nosso tempo for para fazer algo bom, já mudamos o mundo.
Ontem - Era Industrial:
• Economia de produção
• Vapor
Hoje - Era digital:
• Economia do conhecimento
• Compartilhar ideias
É hora de mudar o mundo, não ter pensamentos como: “Teve uma grande ideia? Respira que logo que passa!” ou “Empresas do século XX, pessoas do século XXI. Vamos contratar pessoas diferentes, mas todas elas têm que ficar iguais quando entrarem aqui.”
Precisamos de mais poesias e de menos palavras. Esse é o mundo que está em jogo agora. Você é o que você compartilha. É um hiato de gerações. O tempo coletivo é um bem social. Temos que pensar menos consumo e mais engajamento. Tem uma música nova nessa humanidade e um lugar que nós não podemos usar velhos mapas para descobrir novas terras.
Fontes: Trendwatching, Techcrunch, PSFK, Cisco Portal Administradores, RioCriativo, Estrombo, Sebrae, Portal HSM, Cidade do Conhecimento – USP, Good, MindShift, Harvard Business Review, Érica Brasil - Núcleo de Inovação & Redes Sociais dos Inovadores ESPM.
Por Gil Giardelli, Samanta Fluture, Gaia Creative e Equipe Inovadores ESPM
Portal HSM
20/05/2011
Gestão do conhecimento nas redes sociais | Portal HSM
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Patrícia Morais
às
07:18
segunda-feira, 30 de maio de 2011
O lado bom da pobreza - Superinteressante
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Patrícia Morais
às
17:28
domingo, 29 de maio de 2011
Se a população não chega aos médicos, que os médicos cheguem à população. Foi pensando assim que os indianos resolveram criar serviços de enfermagem itinerantes no país. Grande parte da população da Índia não tem acesso a postos de saúde. Mas esse pessoal agora não fica mais sem atendimento. Enfermeiros e médicos vão hoje aos vilarejos e fazem exames de sangue e raio X nos moradores por lá mesmo. Os dados são enviados via internet para algum hospital da redondeza, onde então é feito o diagnóstico.
Os indianos pensaram como qualquer um de nós pensaria no dia a dia. Se não temos recursos para resolver problemas, só nos resta improvisar. Usar a criatividade. Essas ideias nascidas da escassez podem resolver o problema de uma pessoa, de uma comunidade, de um país, como no caso da Índia. Em alguns casos, de gente de todo o mundo. A ideia dos indianos de levar atendimento a vilarejos, por exemplo, serviu de inspiração para a gigante americana GE. A companhia lançou em 2008 o Mac 400, primeiro aparelho de eletrocardiograma portátil do mundo. Ele cabe em uma maleta, tem bateria que dura uma semana e custa menos de US$ 1 000 (10% do preço de um convencional). E agora é exportado para países como a China, onde ajuda pessoas carentes a conseguir atendimento médico.
Ideias criativas como essas estão nascendo cada vez mais nos chamados países emergentes. Deles têm saído iniciativas que inspiram seus colegas ricos, como EUA, Japão e europeus. É o que chamamos de inovação na base da pirâmide, ou seja, inovação gerada pelos mais pobres. Primeiro as pessoas introduzem uma ideia para solucionar desafios do cotidiano. O produto é então vendido no mercado interno, ganha escala e acaba exportado.
Basta ver os dados para entender como isso está acontecendo. A coreana Samsung investe mais em pesquisa e desenvolvimento do que a americana Intel. A China investe mais em pesquisa e desenvolvimento do que o Japão. Com a ajuda deles o mundo tem ganhado mais conhecimento e riqueza. Dois fatores impulsionam a criatividade dos países mais pobres: o baixo custo e a ousadia. E um ótimo exemplo é o Brasil, que também partiu de suas necessidades para gerar inovação.
Aproveitando a capacidade intelectual mais barata dos excelentes engenheiros aeroespaciais brasileiros, a Embraer produziu aviões que custam menos que os dos concorrentes. A companhia olhou para um nicho ignorado por empresas já consolidadas no setor. Foi também com ousadia que surgiram no país outras ideias distantes do pensamento convencional e de fórmulas prontas, como o etanol e o motor flex para carros e o "porco light" da Embrapa (que concentra mais carne por quilo de animal).
Claro que os países mais pobres ainda têm um longo caminho a trilhar. Mas, para mim, eles possuem um espírito inovador capaz de levar as ideias mais loucas e revolucionárias adiante. E de derrubar as velhas maneiras de pensar.
* Antoine van Agtmael é presidente do conselho da empresa de investimentos Emerging Markets Management e criador do termo "países emergentes".
O lado bom da pobreza - Superinteressante
Os indianos pensaram como qualquer um de nós pensaria no dia a dia. Se não temos recursos para resolver problemas, só nos resta improvisar. Usar a criatividade. Essas ideias nascidas da escassez podem resolver o problema de uma pessoa, de uma comunidade, de um país, como no caso da Índia. Em alguns casos, de gente de todo o mundo. A ideia dos indianos de levar atendimento a vilarejos, por exemplo, serviu de inspiração para a gigante americana GE. A companhia lançou em 2008 o Mac 400, primeiro aparelho de eletrocardiograma portátil do mundo. Ele cabe em uma maleta, tem bateria que dura uma semana e custa menos de US$ 1 000 (10% do preço de um convencional). E agora é exportado para países como a China, onde ajuda pessoas carentes a conseguir atendimento médico.
Ideias criativas como essas estão nascendo cada vez mais nos chamados países emergentes. Deles têm saído iniciativas que inspiram seus colegas ricos, como EUA, Japão e europeus. É o que chamamos de inovação na base da pirâmide, ou seja, inovação gerada pelos mais pobres. Primeiro as pessoas introduzem uma ideia para solucionar desafios do cotidiano. O produto é então vendido no mercado interno, ganha escala e acaba exportado.
Basta ver os dados para entender como isso está acontecendo. A coreana Samsung investe mais em pesquisa e desenvolvimento do que a americana Intel. A China investe mais em pesquisa e desenvolvimento do que o Japão. Com a ajuda deles o mundo tem ganhado mais conhecimento e riqueza. Dois fatores impulsionam a criatividade dos países mais pobres: o baixo custo e a ousadia. E um ótimo exemplo é o Brasil, que também partiu de suas necessidades para gerar inovação.
Aproveitando a capacidade intelectual mais barata dos excelentes engenheiros aeroespaciais brasileiros, a Embraer produziu aviões que custam menos que os dos concorrentes. A companhia olhou para um nicho ignorado por empresas já consolidadas no setor. Foi também com ousadia que surgiram no país outras ideias distantes do pensamento convencional e de fórmulas prontas, como o etanol e o motor flex para carros e o "porco light" da Embrapa (que concentra mais carne por quilo de animal).
Claro que os países mais pobres ainda têm um longo caminho a trilhar. Mas, para mim, eles possuem um espírito inovador capaz de levar as ideias mais loucas e revolucionárias adiante. E de derrubar as velhas maneiras de pensar.
* Antoine van Agtmael é presidente do conselho da empresa de investimentos Emerging Markets Management e criador do termo "países emergentes".
O lado bom da pobreza - Superinteressante
Prof. Dr. Mitsuru Yanaze fala sobre mensuração da comunicação nas organizações.
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Patrícia Morais
às
08:32
terça-feira, 24 de maio de 2011
Economia digital promove novos modelos de negócios
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Patrícia Morais
às
21:05
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Esteve em João Pessoa, no último final de semana, ministrando a disciplina “Economia Digital” no curso de pós graduação em Gestão Estratégica da Comunicação Digital, na Solaris Cursos, o Professor da Business School de São Paulo, Mario Faria.
Mario Faria, que também é consultor de Marketing, possui experiência comprovada no crescimento de receita e lucratividade em empresas multinacionais, como IBM, Accenture e da Microsoft, através da criação e implementação de Vendas e Estratégias de Marketing, Planejamento Estratégico, Projetos Web, Campanhas Digital, Web Analytics, Cloud Computing, SaaS, Análise de Mercado na área de Tecnologia e segmentos de Serviços.
Diante da competitividade acirrada pelas empresas no mercado local e o crescimento contínuo dos negócios digitais em nosso Estado, tais como os sites de compras coletivas, conversamos com o professor a fim de esclarecermos os novos tipos de negócios existentes na nuvem.
1- O que é Economia digital?
É o estudo da economia tradicional como conhecemos, porém voltada aos impactos que estão ocorrendo pelo fato da digitalização e informatização dos relacionamentos, conteúdo, informação e meios de produção. A sociedade humana vem evoluindo de um modelo nômade, depois para agrícola, em seguida industrial e agora a sociedade da informação. Esta evolução abre a possibilidade de novos negócios, nunca antes imaginados. Por exemplo, grande parte das pessoas que acessa a Internet utiliza o Google para buscas. Apesar do Google dar as respostas rápidas, com bastante exatidão, nenhuma pessoa paga para usar o Google. Quem paga a conta são anunciantes. Mesma coisa acontece com o Facebook. Quem usa, usa bastante, e não paga um centavo para isto. O Facebook cobra de empresas interessadas em anunciar ali. São negócios novos que estão surgindo, e isto impacta toda a cadeia produtiva.
2- Que tipo de estratégia pode ser desenvolvida por uma empresa para se tornar competitiva na internet?
A empresa tem que conhecer seu mercado alvo, seus clientes potencias, seus pontos fracos e fortes. E a partir daí, construir ou evoluir sua proposição de valor, utilizando a internet como uma ferramenta para reduzir custos, aumentar lucros e ter ganhos operacionais. Internet é o meio, não o fim. Vou fazer uma analogia: quando a eletricidade começou a ser utilizada nas empresas para movimentar as máquinas, iluminar ambientes, aquecer ou refrigerar ambientes. Qual foi a estratégia das empresas para fazer com que o uso de eletricidade a torna-se mais competitiva? As empresas começaram a comprar maquinas mais poderosas, começaram a trabalhar a noite, e dar um ambiente mais adequado em termos de temperatura para seus funcionários. É pensar como a internet pode ajudar a resolver um problema, como conhecer melhor os hábitos de consumo dos clientes.
3- Quais as vantagens e desvantagens de uma empresa virtual?
A principal vantagem é ter custos fixos menores, pois você não precisa ter uma loja enorme com estoques, atendentes, etc. A desvantagem é que pode-se perder o contato mais próximo com quem não se sente confortável em se relacionar com uma empresa apenas via internet. O melhor modelo são empresas que combinam as 2 formas.
4- Os sites de compras coletivas são moda ou vieram para ficar?
Para mim vieram para ficar, porém irão sobre 4 ou 5 no Brasil num espaço de 3 anos. Em Dezembro de 2010, existiam no Brasil mais de 1000 sites de compras coletivas. Hoje, em Maio, 200 fecharam as portas. Vão sobrar poucos, porém os que sobrarem estarão vendendo muito mais que vendem hoje.
5- Como funciona a economia colaborativa? As empresas brasileiras estão preparadas para isto?
Economia colaborativa é quando parceiros, clientes, fornecedores se unem com a empresa, para criar novos produtos, novas ofertas, novos serviços.Isto existe há muito, muito tempo. No Brasil existem cooperativas agrícolas, de crédito, de artesãos. O que acontece hoje, é que, pela internet, as relações entre os participantes são mais próximas e se consegue ter agilidade. Veja o exemplo da Fiat do Brasil que criou um carro (Mio) com feedback de mais de 10.000 pessoas espalhadas no Brasil, em sua maioria, porém com pessoas de outros países do mundo. Eu diria que ainda existem barreiras culturais a serem vencidas, e nem toda empresa irá usar de colaboração.
6- Que tipos de comércio eletronico existem no Brasil? E quais as vantagens e desvantagens deles para o consumidor?
Comércio eletrônico onde empresas vendem para consumidores (B2C), empresas vendendo para empresas (B2B), empresas fazendo negócios com o governo (B2G), governo atendendo cidadãos (G2C). Em todas as áreas temos exemplos muito bacanas do Brasil e somos referência mundial em alguns deles. Vantagens, posso dizer, como mais opção de escolhas para o consumidor e possibilidade de pesquisar preços, buscando melhores ofertas. As desvantagens são empresas sem idoneidade que buscam enganar clientes e empresas que não investem como deveriam no atendimento pós-venda.
7- A Paraíba possui como foco economico o agronegócio, comércio e serviços, turismo e serviço público. Qual o conselho que você dar para o desenvolvimento da economia digital do Estado?
Invistam em economia digital, seja para aplicar tecnologia nas áreas que você mencionou, aplicando tecnologia digital, vocês conseguem ser competitivos no agronegócio e no comércio, atrair via a internet novos turistas para o estado, e o governo gerir melhor os recursos públicos e prestar um melhor serviço para a população. E quem sabe, com esta experiência, que se crie aqui, no futuro, um pólo de prestação de serviços para outros estados ou mesmo países.
Consultoria de Comunicação para Micro e Pequenas Empresas de João Pessoa
Postado por
Patrícia Morais
às
20:08
quarta-feira, 11 de maio de 2011
RESUMO
Nossa proposta condiz no relato da primeira etapa da implantação de uma consultoria de comunicação empresarial, enquanto projeto de extensão da UFPB, visando atender os micros e pequenos empreendedores dos projetos finalísticos do SEBRAE/PB. Para estruturar a consultoria iremos identificar o conceito, as demandas e as situações em que se faz necessário o uso da comunicação estratégica, enquanto elemento que agrega valor aos negócios. Serão desenvolvidas propostas de ações de comunicação na sua perspectiva interna, institucional e mercadológica. Nesse sentido entendemos que a comunicação empresarial compreende um conjunto complexo de atividades, ações, estratégias, produtos e processos desenvolvidos para reforçar a imagem de uma empresa junto aos seus públicos de interesse e na opinião pública.
PALAVRAS-CHAVE: Comunicação Empresarial; Micro e Pequenas Empresas; Consultoria.
A descoberta de novos mercados
Este artigo relata a experiência de um projeto de extensão que representa uma ação interdisciplinar entre as áreas de comunicação, gestão empresarial e empreendedorismo, tendo em vista que as empresas de pequeno porte dependem do planejamento como ferramenta competitiva para análise e direcionamento de suas ações e otimização dos recursos investidos.
Esta parceria resultou em várias discussões sobre a questão da formação do profissional, da aplicação de estratégicas de comunicação nas empresas locais. A implantação de uma consultoria se propõe tanto a atender a necessidade de atuação no campo profissional durante a formação acadêmica, assim como a contribuir na melhoria dos serviços prestados pelas micro e pequenas empresas, tendo em vista que serão as beneficiadas pela ação de extensão com orientação sobre como utilizar a comunicação como ferramenta de estratégica na gestão de seu negócio.
Assim, este projeto se caracteriza como uma prática acadêmica que contribui para a formação do profissional cidadão, e estende sua prática pedagógica extraclasse com atividades que exigem pesquisa e ensino. Nesse caso nos voltamos para a produção do conhecimento com inovações de forma diferenciada de trabalhos acadêmicos de caráter fundamentalmente extensionista.
O desenvolvimento da atividade de extensão promoverá tanto experiência para os alunos e professores quanto o esclarecimento e (re)conhecimento da comunicação estratégica como diferencial competitivo para as micro e pequenas empresas que, por sua vez, a utilizam não apenas como forma de publicidade mas, principalmente, como forma de relacionamento com seus diversos públicos.
A importância das Micro e Pequenas Empresas no cenário local
O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) é uma entidade privada sem fins lucrativos que tem como missão promover a competitividade e o desenvolvimento sustentável dos empreendimentos de micro e pequeno porte. É por intermédio dele que os empreendedores recebem orientação para planejar, executar e gerir seus negócios, em qualquer lugar do Brasil.
Os micros e pequenos negócios são essenciais para o desenvolvimento do Brasil sendo necessário que atuem em um ambiente institucional que estimule a criação de empresas formais, competitivas e sustentáveis. Segundo dados do IBGE, no Brasil existem 14,8 milhões de micro e pequenas – 4,5 milhões formais e 10,3 milhões informais – que respondem por 28,7 milhões de empregos e por 99,23% dos negócios do país.
Diante dessas informações surge a proposta de parceria com o SEBRAE, em 2009, partindo do entendimento que a área de comunicação se faz presente em toda e qualquer instituição, independente do seu porte, assim como esta pode ser o diferencial competitivo para a empresa se manter no mercado e agregar valor ao negócio.
O mercado de atuação para o profissional de comunicação é amplo e diversificado o que muitas vezes proporciona dúvidas de onde atuar, como atuar, além de aumentar a competitividade e a exigência na qualificação profissional.
Esse universo de desenvolvimento de micro e pequenas empresas, principalmente na cidade local, proporcionam um novo nicho de mercado, particularmente, para aqueles que se encaminham para ingressar na profissão.
Comunicação para micro e pequenas empresas
No Brasil é bastante comum à classificação da empresa de acordo com o número de funcionários ou faturamento. Drucker (1982) ressalta que o verdadeiro tamanho de uma organização deve ser avaliado levando-se em conta sua estrutura administrativa, pois existem empresas que mesmo com reduzido número de funcionários têm um comportamento característico de grandes corporações e que o processo inverso também é uma realidade no contexto empresarial.
Segundo Pinheiro (2002), em termos de gestão administrativa pode haver várias semelhanças entre as empresas, mas algumas particularidades são específicas das de pequeno porte, tais como: pertence a uma única pessoa ou pequeno grupo; seu capital tem origem no(s) proprietário(s); sua área de atuação é local ou no máximo regional; sua atividade produtiva não ocupa posição de destaque no mercado em que atua.
De acordo com o instituto Brasileiro de Geografia e Estatística –IBGE, no Brasil em 2002, 57,2% dos empregos formais estavam nas micro e pequenas empresas. Essa realidade tem haver com aumento da automação pelas grandes empresas e conseqüentemente passa a empregar menos pessoas. Outro aspecto a considerar é a grande taxa de mortalidade em curto prazo de tempo das empresas de pequeno porte, que tem entre outras razões para o fechamento falta de capital de giro e altos impostos.
Falta planejamento no processo de abertura do negócio. A empresa precisar ter em mente que ela só irá funcionar se atingir seu público-alvo; a visão estratégica do pequeno empresário deve ser capaz de analisar o ambiente socioeconômico no seu entorno e suas influências no ramo de negócio em que atua.
Conforme Gomes e Nassar (2001, p.30) milhões de pequenos e médios empresários:
(...) Estão começando seus negócios sem nenhum planejamento, sem nenhuma idéia de como formar um time vitorioso e de como enfrentar as adversidades, os obstáculos, as objeções que se colocam no caminho de quem quer vender produtos e serviços. E principalmente, estão desconhecendo as técnicas básicas que orientam a concepção de produtos e serviços, o estabelecimento de preços, a colocação e distribuição no mercado e sua divulgação.
Para Terence (2002) a gestão da pequena empresa em geral é marcada pela pessoalidade, administração não-profissional e informalidade. Drucker (1982) explica que esses tipos de problemas ficam mais críticos quando a empresa tem um único dirigente que não aceita ouvir a opinião dos outros e, por conseguinte, toma as decisões sozinho, cuida de tudo e os funcionários ficam sem saber o que fazer. E nesse caso podemos ser ainda mais específicos falta planejamento da comunicação e na maioria das vezes os empreendedores admitem ter dificuldade de se comunicar com seus funcionários.
É preciso ter uma melhor compreensão do planejamento da comunicação como fator de desenvolvimento para as pequenas empresas de fato funciona. Isso significa que uma boa comunicação pode uma empresa a atingir objetivos diretamente relacionados ao seu negócio, tais como: posicionar a “marca” na mente do consumidor; ajuda a agregar valor ao produto e ao negócio; ajudar a oferecer informações da empresa ao mercado e gerar atitude favorável dos diversos segmentos de público para as iniciativas da empresa.
Nesse caso as ações de comunicação institucional, interna e mercadológica necessitam estarem integradas para gerar resultados (Gomes e Nassar, 2001).
Dentro dessa perspectiva a comunicação em uma empresa, independente de seu porte, é fundamental tanto quanto seu capital de giro, produto ou serviço. Apoiada na informação, seja de caráter técnico, quando apresenta as características de seus produtos ou serviços, seja de caráter promocional, quando comunica os benefícios e as vantagens de produtos ou serviços. Segundo Santos Claro (2008, p.3):
É preciso desenvolver uma cultura de comunicação nas pequenas empresas, que esteja presente em cada ação percebida pelo cliente. Isso, pouco tem a ver com equipamentos, infra-estrutura ou tecnologia. Tem muito mais a ver com sensibilidade. Não há uma organização que não utilize o processo de comunicação, pois há um fluxo enorme e constante de informações, movimentando-se de cima para baixo, de baixo para cima, e para os lados.
As pequenas empresas geralmente sentem dificuldade em planejar a comunicação para suas realidades, e, sobretudo, da importância de um trabalho sério e contínuo direcionado para seus diferentes públicos. É preciso desenvolver uma cultura de comunicação nas pequenas empresas, pois não podemos nos esquecer que são inúmeras situações de relacionamento entre a empresa e seus clientes, reais e potenciais, ocorrem no atendimento prestado no balcão, nos contatos telefônicos, nas entregas de pedidos, no faturamento, através de embalagens dos produtos, na prestação do serviço, no layout do ponto de venda, na equipe de vendedores, no atendimento pós-venda.
Falta conhecimento de que além de ter um bom produto ou serviço é preciso saber como comunicar isto ao mercado. E geralmente os empreendedores acabam investindo toda verba que possuem em publicidade por não conhecer as inúmeras possibilidades que a comunicação empresarial eficiente pode gerar e o retorno que traz para as empresas com investimento reduzido (Paulo Kendzerski, 2008).
É preciso tornar claro e compreensível que o investimento em comunicação não é uma atividade viável apenas para as grandes empresas, pois um empreendimento só será grande se souber utilizar a comunicação como aliada da sua estratégia empresarial. Assim, é indispensável que a pequena empresa deixe de ver a comunicação empresarial “desperdício de dinheiro”, “coisa para segunda etapa do negocio”, “instrumento das grandes empresas”. Para Gomes e Nassar (2001, p.31):
O pequeno empresário com poucos recursos para iniciar seu negócio pode praticar, pode aprender, copiar com criatividade a grandes empresas em “tudo o que estão fazendo, para ser ‘mais leve que o ar”, rápido nas decisões e no atendimento a seus parceiros e consumidores, competitivo em termos de preço e qualidade e sempre presente, por intermédio da comunicação, no coração e na mente de seus clientes e ser sempre presente.
Ao investir em comunicação a empresa deve definir quem será responsável por sua produção, qual será sua freqüência e, principalmente, de que forma irá medir o resultado obtido e qual o impacto está causando seja ele negativo, positivo e/ou neutro. Para COBRA (1986, p.216):
A credibilidade de uma fonte emissora de informações deve ser tal que não paire a menor dúvida sobre ela, uma vez que tem sido considerada a mais importante característica em comunicação e marketing e é o principal atributo de um serviço em comunicação. A credibilidade da fonte emissora e de seus serviços implica a credibilidade de sua marca e do próprio setor de comunicação em que ela se encontra como um todo.
O sucesso da comunicação pelas pequenas empresas depende da habilidade em utilizá-la de forma correta. Por exemplo, a própria exposição da empresa, não como anunciante, mas como notícias do seu segmento, através de pesquisas de mercado, eventos, artigos, lançamento de produtos inovadores, poderá gerar um retorno muitas vezes superior à publicidade que as empresas costumam utilizar com grandes investimentos.
Para Magalhães (2008,) a “comunicação empresarial é a maior aliada das atividades de marketing e de recursos humanos quando trabalha profissionalmente valores como missão, visão, valor, identidade, parceria, cooperação interpúblico e inter-empresa, e cidadania empresarial”. Nessa perspectiva, qualquer plano de negócio compatível com a realidade do mercado, seus responsáveis precisam colocar a comunicação empresarial ao lado das ferramentas de gestão. Parar tanto é preciso que se perceba que toda ação de comunicação causa impacto nos resultados do negócio, portanto deve ser vista como ferramenta estratégica para seu alcance e não apenas como suporte das informações que fluem por toda a organização.
O planejamento da comunicação é uma ferramenta indispensável que qualquer empresário que queira consolidar ou fazer evoluir o seu negócio, que precisa ser pensado de forma integrada e suportado por um conceito coerente, ou seja, uma base que lhe dá personalidade, que corporiza os seus valores, que o diferencie com uma determinada imagem. De acordo com Garcia et all (2006) o primeiro passo para melhor explorar esta ferramenta é definir a vocação da empresa, ou seja, onde está sua maior habilidade.
Este procedimento deve ser muito bem observado pelos micro e pequenos empresários para estipularem seu campo de atuação, deixando clara sua competência. A vocação da empresa deve ser definida tendo em vista a abrangência da área em que pretende atuar. Em seguida deve-se delimitar sua missão, visão e valores que nortearão todas as ações nas diferentes áreas da comunicação. Para Garcia (2006,p.14):
“Uma análise objetiva do cenário contextual, a definição correta do problema que a empresa enfrenta e o conhecimento prévio das ferramentas e ações de marketing e comunicação disponíveis são essenciais para uma tomada de decisão que conduza a uma ação correta e que traga resultados possíveis de serem mensurados e para os quais haja possibilidades de correção e alterações necessárias”.
Para saber vender é preciso saber comunicar com impacto e com eficácia. Mas, para que esta comunicação esteja presente em cada ação percebida pelo cliente é preciso saber que estratégias e tácticas se devem adotar em função do conceito e do posicionamento do negócio, identificar que oportunidades comerciais aproveitar e como ampliar seus retornos. Quando a área comercial está devidamente amparada por uma comunicação consistente certamente ganha eficiência e produtividade, o que acaba gerando melhores resultados.
Nesse caso, as informações precisam ser vistas como instrumento de tomada de decisões no que se refere às estratégias de produtos, serviços, ampliação e redimensionamento da empresa. É nesse sentido que a comunicação tem servido como ferramenta estratégica no apoio às atividades comerciais, principalmente quando o assunto é o aumento do desempenho das equipes de vendas e atendimento ou busca de resultados a partir da qualidade do relacionamento com o cliente.
No mercado atual saber se comunicar é um dos pontos fundamentais para o sucesso empresarial, servido de ferramenta de suporte para todas as atividades da empresa, estabelecendo políticas e estratégias que englobam iniciativas nas áreas de Jornalismo, Relações Públicas e Publicidade e Propaganda.
Procedimentos metodológicos
A primeira parte do trabalho foi desenvolvida com os gestores dos projetos finalisticos do SEBRAE/PB e a segunda com os públicos de cada projeto. Inicialmente utilizamos como procedimento metodológico a organização de ações teóricas dedicadas ao estudo de autores que tratam da discussão da comunicação empresarial como diferencial competitivo e estratégico para o negócio, compondo uma pesquisa bibliográfica para capacitar os alunos fazendo uso das teorias de diversos autores tais como: Kunsch, Torquato, Tavares, Lucas, Scott, Simões, Chiavenato, Bueno, Argenti, Corrado, Drucker, entre outros.
Após qualificar os alunos para o entendimento, pesquisa e planejamento da comunicação no universo das Micro e Pequenas Empresas (MPEs), fizemos o levantamento das empresas que estão associadas ao SEBRAE/PB por meio de entrevista com os gestores dos projetos finalísticos desta instituição.
Com o levantamento das MPEs, a etapa seguinte constituiu-se em realizar uma pesquisa de opinião junto às empresas cadastradas no SEBRAE a fim de identificar o entendimento e as demandas de comunicação neste universo. Com isto, iniciaremos a fase de campo na qual os alunos poderão iniciar o processo de consultoria com a aplicação da pesquisa para diagnosticar a realidade deste nicho de mercado e visualizar as possibilidades (ou não) de atuação profissional, assim como divulgar a comunicação como estratégia que agrega valor e gera resultados a todos os negócios.
Esta etapa foi finalizada com a tabulação dos dados. Porém o diagnóstico e a estratégias, políticas e diretrizes de comunicação para a implantação da consultoria serão finalizadas na edição 2010 do Probex, dando continuidade ao projeto.
Considerações Finais
Elaborar e desenvolver uma consultoria de comunicação junto às Micro e Pequenas Empresas de João Pessoa não está sendo uma tarefa muito simples. O entendimento deste universo sobre a área de comunicação é restrito as ações de comunicação mercadológica e, paralelamente, são vistas como um “grande gasto de dinheiro”.
Com poucos recursos e tendo que sobreviver num mercado cada vez mais competitivo, as MPEs demonstraram muito receio em receber os alunos extensionistas do projeto, mesmo sabendo que nós estamos desenvolvendo o projeto em parceria com o SEBRAE/PB.
Foram muitas indas e vindas para obter as informações, o que gerou atrasou no nosso planejamento e uma maior reflexão de como devemos nos preparar para atuar nessa área. Durante a aplicação da pesquisa os extensionistas observaram que a maioria dos gestores se surpreendeu com o questionário, ou seja, com a dimensão da área de comunicação que pode ser desenvolvida por uma empresa. Porém, não conseguiram num primeiro vislumbrar o uso destas em seu negócio.
Por isso, verificamos num primeiro momento que falar a linguagem do negócio é fundamental para o profissional de comunicação. Essa é a primeira estratégia que deverá ser levada em consideração para se aproximar deste universo. Devemos ter consciência que a codificação da mensagem é essencial para iniciar o diálogo.
Encerramos o probex 2009 com a tabulação dos questionários, como dito anteriormente, porém continuamos em 2010 com a elaboração do diagnóstico e o planejamento das ações de comunicação para este universo.
Acreditamos que este universo empresarial é o foco do desenvolvimento para o Estado da Paraíba e, principalmente, a área de atuação para os novos profissionais formados na área de comunicação, tendo em vista que o mercado das grandes empresas está cada vez mais saturado e com exigências que muitas vezes exclui as chances daqueles que tem potencial, porém ainda busca experiência e legitimação no mercado.
REFERÊNCIAS
ARGENTI, Paul P. Comunicação empresarial. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006.
BUENO, Wilson da Costa. Comunicação empresarial: teoria e pesquisa. São Paulo: Manole, 2003.
CARVALHO, Carlos Eduardo. Cultura organizacional: teoria e pesquisa. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura,2005.
CHIAVENATO, Idalberto. Administração nos novos tempos. 2.ed. Rio de Janeiro: Campus, 1999.
COBRA, Marcos. Marketing Básico. São Paulo, Atlas, 1986.
DRUCKER, Peter F. Inovação e Espírito Empreendedor. Prática e Princípios. São Paulo, Cengage Learning, 1982.
GANDIN, Danilo do Santos. A prática do planejamento participativo: na educação e em outras instituições,grupos e movimentos dos campos cultural, social, político, religioso e governamental, 8ª ed. Petrópolis:vozes, 2000a.
GARCIA, Maria Thereza. Marketing e comunicação para pequenas empresas. São Paulo: Ed. Nova Tec,2006.
GOMES, Nelson, NASSAR, Paulo. A comunicação da pequena empresa. São Paulo: Globo, 2001.
KENDZERSKI, Paulo. Comunicação Corporativa: o caminho para o sucesso ou fracasso empresarial –Disponível em: www.Catho Educação Executiva.com. br. Acesso em: 02 de fev. 2008.
KUNSCH, Margarida Krohling. Planejamento de Relações Públicas na comunicação integrada. 4.ed. rev.,atual. e ampl. – São Paulo: Summus, 2003.
MAGALHÃES, Hélio Augusto de. COMUNICACAO EMPRESARIAL NOS DIAS DE HOJE – Disponível em:www.aberje.com.br. Acesso em: 01de fev2008.
PIMENTA, Maria Alzira. Comunicação empresarial: conceitos e técnicas para administradores. 3. Ed. São Paulo: Alínea, 2002.
PINHEIRO, Duda. Comunicação integrada de marketing. São Paulo: Atlas,2002.
SANTOS CLARO, José Roberto Carvalho dos. Uso das novas ferramentas do marketing no processo comunicacional das pequenas empresas na internet. Disponível em: http://www.portal-rp.com.br/bibliotecavirtual/outrasareas/marketing01/0121.htm. acesso em 24.04.2009
SCHULER, Maria. Comunicação estratégica. São Paulo: Atlas, 2004.
TAVARES, Mauricio. Comunicação empresarial e planos de comunicação. São Paulo: Atlas, 2007.
TERENCE, A. C. F.; ESCRIVAO FILHO, E. Planejamento estratégico na pequena empresa. In: XI Encontro Nacional de Engenharia de Produção, 2001. XI ENEGEP, 2002
Nossa proposta condiz no relato da primeira etapa da implantação de uma consultoria de comunicação empresarial, enquanto projeto de extensão da UFPB, visando atender os micros e pequenos empreendedores dos projetos finalísticos do SEBRAE/PB. Para estruturar a consultoria iremos identificar o conceito, as demandas e as situações em que se faz necessário o uso da comunicação estratégica, enquanto elemento que agrega valor aos negócios. Serão desenvolvidas propostas de ações de comunicação na sua perspectiva interna, institucional e mercadológica. Nesse sentido entendemos que a comunicação empresarial compreende um conjunto complexo de atividades, ações, estratégias, produtos e processos desenvolvidos para reforçar a imagem de uma empresa junto aos seus públicos de interesse e na opinião pública.
PALAVRAS-CHAVE: Comunicação Empresarial; Micro e Pequenas Empresas; Consultoria.
A descoberta de novos mercados
Este artigo relata a experiência de um projeto de extensão que representa uma ação interdisciplinar entre as áreas de comunicação, gestão empresarial e empreendedorismo, tendo em vista que as empresas de pequeno porte dependem do planejamento como ferramenta competitiva para análise e direcionamento de suas ações e otimização dos recursos investidos.
Esta parceria resultou em várias discussões sobre a questão da formação do profissional, da aplicação de estratégicas de comunicação nas empresas locais. A implantação de uma consultoria se propõe tanto a atender a necessidade de atuação no campo profissional durante a formação acadêmica, assim como a contribuir na melhoria dos serviços prestados pelas micro e pequenas empresas, tendo em vista que serão as beneficiadas pela ação de extensão com orientação sobre como utilizar a comunicação como ferramenta de estratégica na gestão de seu negócio.
Assim, este projeto se caracteriza como uma prática acadêmica que contribui para a formação do profissional cidadão, e estende sua prática pedagógica extraclasse com atividades que exigem pesquisa e ensino. Nesse caso nos voltamos para a produção do conhecimento com inovações de forma diferenciada de trabalhos acadêmicos de caráter fundamentalmente extensionista.
O desenvolvimento da atividade de extensão promoverá tanto experiência para os alunos e professores quanto o esclarecimento e (re)conhecimento da comunicação estratégica como diferencial competitivo para as micro e pequenas empresas que, por sua vez, a utilizam não apenas como forma de publicidade mas, principalmente, como forma de relacionamento com seus diversos públicos.
A importância das Micro e Pequenas Empresas no cenário local
O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) é uma entidade privada sem fins lucrativos que tem como missão promover a competitividade e o desenvolvimento sustentável dos empreendimentos de micro e pequeno porte. É por intermédio dele que os empreendedores recebem orientação para planejar, executar e gerir seus negócios, em qualquer lugar do Brasil.
Os micros e pequenos negócios são essenciais para o desenvolvimento do Brasil sendo necessário que atuem em um ambiente institucional que estimule a criação de empresas formais, competitivas e sustentáveis. Segundo dados do IBGE, no Brasil existem 14,8 milhões de micro e pequenas – 4,5 milhões formais e 10,3 milhões informais – que respondem por 28,7 milhões de empregos e por 99,23% dos negócios do país.
Diante dessas informações surge a proposta de parceria com o SEBRAE, em 2009, partindo do entendimento que a área de comunicação se faz presente em toda e qualquer instituição, independente do seu porte, assim como esta pode ser o diferencial competitivo para a empresa se manter no mercado e agregar valor ao negócio.
O mercado de atuação para o profissional de comunicação é amplo e diversificado o que muitas vezes proporciona dúvidas de onde atuar, como atuar, além de aumentar a competitividade e a exigência na qualificação profissional.
Esse universo de desenvolvimento de micro e pequenas empresas, principalmente na cidade local, proporcionam um novo nicho de mercado, particularmente, para aqueles que se encaminham para ingressar na profissão.
Comunicação para micro e pequenas empresas
No Brasil é bastante comum à classificação da empresa de acordo com o número de funcionários ou faturamento. Drucker (1982) ressalta que o verdadeiro tamanho de uma organização deve ser avaliado levando-se em conta sua estrutura administrativa, pois existem empresas que mesmo com reduzido número de funcionários têm um comportamento característico de grandes corporações e que o processo inverso também é uma realidade no contexto empresarial.
Segundo Pinheiro (2002), em termos de gestão administrativa pode haver várias semelhanças entre as empresas, mas algumas particularidades são específicas das de pequeno porte, tais como: pertence a uma única pessoa ou pequeno grupo; seu capital tem origem no(s) proprietário(s); sua área de atuação é local ou no máximo regional; sua atividade produtiva não ocupa posição de destaque no mercado em que atua.
De acordo com o instituto Brasileiro de Geografia e Estatística –IBGE, no Brasil em 2002, 57,2% dos empregos formais estavam nas micro e pequenas empresas. Essa realidade tem haver com aumento da automação pelas grandes empresas e conseqüentemente passa a empregar menos pessoas. Outro aspecto a considerar é a grande taxa de mortalidade em curto prazo de tempo das empresas de pequeno porte, que tem entre outras razões para o fechamento falta de capital de giro e altos impostos.
Falta planejamento no processo de abertura do negócio. A empresa precisar ter em mente que ela só irá funcionar se atingir seu público-alvo; a visão estratégica do pequeno empresário deve ser capaz de analisar o ambiente socioeconômico no seu entorno e suas influências no ramo de negócio em que atua.
Conforme Gomes e Nassar (2001, p.30) milhões de pequenos e médios empresários:
(...) Estão começando seus negócios sem nenhum planejamento, sem nenhuma idéia de como formar um time vitorioso e de como enfrentar as adversidades, os obstáculos, as objeções que se colocam no caminho de quem quer vender produtos e serviços. E principalmente, estão desconhecendo as técnicas básicas que orientam a concepção de produtos e serviços, o estabelecimento de preços, a colocação e distribuição no mercado e sua divulgação.
Para Terence (2002) a gestão da pequena empresa em geral é marcada pela pessoalidade, administração não-profissional e informalidade. Drucker (1982) explica que esses tipos de problemas ficam mais críticos quando a empresa tem um único dirigente que não aceita ouvir a opinião dos outros e, por conseguinte, toma as decisões sozinho, cuida de tudo e os funcionários ficam sem saber o que fazer. E nesse caso podemos ser ainda mais específicos falta planejamento da comunicação e na maioria das vezes os empreendedores admitem ter dificuldade de se comunicar com seus funcionários.
É preciso ter uma melhor compreensão do planejamento da comunicação como fator de desenvolvimento para as pequenas empresas de fato funciona. Isso significa que uma boa comunicação pode uma empresa a atingir objetivos diretamente relacionados ao seu negócio, tais como: posicionar a “marca” na mente do consumidor; ajuda a agregar valor ao produto e ao negócio; ajudar a oferecer informações da empresa ao mercado e gerar atitude favorável dos diversos segmentos de público para as iniciativas da empresa.
Nesse caso as ações de comunicação institucional, interna e mercadológica necessitam estarem integradas para gerar resultados (Gomes e Nassar, 2001).
Dentro dessa perspectiva a comunicação em uma empresa, independente de seu porte, é fundamental tanto quanto seu capital de giro, produto ou serviço. Apoiada na informação, seja de caráter técnico, quando apresenta as características de seus produtos ou serviços, seja de caráter promocional, quando comunica os benefícios e as vantagens de produtos ou serviços. Segundo Santos Claro (2008, p.3):
É preciso desenvolver uma cultura de comunicação nas pequenas empresas, que esteja presente em cada ação percebida pelo cliente. Isso, pouco tem a ver com equipamentos, infra-estrutura ou tecnologia. Tem muito mais a ver com sensibilidade. Não há uma organização que não utilize o processo de comunicação, pois há um fluxo enorme e constante de informações, movimentando-se de cima para baixo, de baixo para cima, e para os lados.
As pequenas empresas geralmente sentem dificuldade em planejar a comunicação para suas realidades, e, sobretudo, da importância de um trabalho sério e contínuo direcionado para seus diferentes públicos. É preciso desenvolver uma cultura de comunicação nas pequenas empresas, pois não podemos nos esquecer que são inúmeras situações de relacionamento entre a empresa e seus clientes, reais e potenciais, ocorrem no atendimento prestado no balcão, nos contatos telefônicos, nas entregas de pedidos, no faturamento, através de embalagens dos produtos, na prestação do serviço, no layout do ponto de venda, na equipe de vendedores, no atendimento pós-venda.
Falta conhecimento de que além de ter um bom produto ou serviço é preciso saber como comunicar isto ao mercado. E geralmente os empreendedores acabam investindo toda verba que possuem em publicidade por não conhecer as inúmeras possibilidades que a comunicação empresarial eficiente pode gerar e o retorno que traz para as empresas com investimento reduzido (Paulo Kendzerski, 2008).
É preciso tornar claro e compreensível que o investimento em comunicação não é uma atividade viável apenas para as grandes empresas, pois um empreendimento só será grande se souber utilizar a comunicação como aliada da sua estratégia empresarial. Assim, é indispensável que a pequena empresa deixe de ver a comunicação empresarial “desperdício de dinheiro”, “coisa para segunda etapa do negocio”, “instrumento das grandes empresas”. Para Gomes e Nassar (2001, p.31):
O pequeno empresário com poucos recursos para iniciar seu negócio pode praticar, pode aprender, copiar com criatividade a grandes empresas em “tudo o que estão fazendo, para ser ‘mais leve que o ar”, rápido nas decisões e no atendimento a seus parceiros e consumidores, competitivo em termos de preço e qualidade e sempre presente, por intermédio da comunicação, no coração e na mente de seus clientes e ser sempre presente.
Ao investir em comunicação a empresa deve definir quem será responsável por sua produção, qual será sua freqüência e, principalmente, de que forma irá medir o resultado obtido e qual o impacto está causando seja ele negativo, positivo e/ou neutro. Para COBRA (1986, p.216):
A credibilidade de uma fonte emissora de informações deve ser tal que não paire a menor dúvida sobre ela, uma vez que tem sido considerada a mais importante característica em comunicação e marketing e é o principal atributo de um serviço em comunicação. A credibilidade da fonte emissora e de seus serviços implica a credibilidade de sua marca e do próprio setor de comunicação em que ela se encontra como um todo.
O sucesso da comunicação pelas pequenas empresas depende da habilidade em utilizá-la de forma correta. Por exemplo, a própria exposição da empresa, não como anunciante, mas como notícias do seu segmento, através de pesquisas de mercado, eventos, artigos, lançamento de produtos inovadores, poderá gerar um retorno muitas vezes superior à publicidade que as empresas costumam utilizar com grandes investimentos.
Para Magalhães (2008,) a “comunicação empresarial é a maior aliada das atividades de marketing e de recursos humanos quando trabalha profissionalmente valores como missão, visão, valor, identidade, parceria, cooperação interpúblico e inter-empresa, e cidadania empresarial”. Nessa perspectiva, qualquer plano de negócio compatível com a realidade do mercado, seus responsáveis precisam colocar a comunicação empresarial ao lado das ferramentas de gestão. Parar tanto é preciso que se perceba que toda ação de comunicação causa impacto nos resultados do negócio, portanto deve ser vista como ferramenta estratégica para seu alcance e não apenas como suporte das informações que fluem por toda a organização.
O planejamento da comunicação é uma ferramenta indispensável que qualquer empresário que queira consolidar ou fazer evoluir o seu negócio, que precisa ser pensado de forma integrada e suportado por um conceito coerente, ou seja, uma base que lhe dá personalidade, que corporiza os seus valores, que o diferencie com uma determinada imagem. De acordo com Garcia et all (2006) o primeiro passo para melhor explorar esta ferramenta é definir a vocação da empresa, ou seja, onde está sua maior habilidade.
Este procedimento deve ser muito bem observado pelos micro e pequenos empresários para estipularem seu campo de atuação, deixando clara sua competência. A vocação da empresa deve ser definida tendo em vista a abrangência da área em que pretende atuar. Em seguida deve-se delimitar sua missão, visão e valores que nortearão todas as ações nas diferentes áreas da comunicação. Para Garcia (2006,p.14):
“Uma análise objetiva do cenário contextual, a definição correta do problema que a empresa enfrenta e o conhecimento prévio das ferramentas e ações de marketing e comunicação disponíveis são essenciais para uma tomada de decisão que conduza a uma ação correta e que traga resultados possíveis de serem mensurados e para os quais haja possibilidades de correção e alterações necessárias”.
Para saber vender é preciso saber comunicar com impacto e com eficácia. Mas, para que esta comunicação esteja presente em cada ação percebida pelo cliente é preciso saber que estratégias e tácticas se devem adotar em função do conceito e do posicionamento do negócio, identificar que oportunidades comerciais aproveitar e como ampliar seus retornos. Quando a área comercial está devidamente amparada por uma comunicação consistente certamente ganha eficiência e produtividade, o que acaba gerando melhores resultados.
Nesse caso, as informações precisam ser vistas como instrumento de tomada de decisões no que se refere às estratégias de produtos, serviços, ampliação e redimensionamento da empresa. É nesse sentido que a comunicação tem servido como ferramenta estratégica no apoio às atividades comerciais, principalmente quando o assunto é o aumento do desempenho das equipes de vendas e atendimento ou busca de resultados a partir da qualidade do relacionamento com o cliente.
No mercado atual saber se comunicar é um dos pontos fundamentais para o sucesso empresarial, servido de ferramenta de suporte para todas as atividades da empresa, estabelecendo políticas e estratégias que englobam iniciativas nas áreas de Jornalismo, Relações Públicas e Publicidade e Propaganda.
Procedimentos metodológicos
A primeira parte do trabalho foi desenvolvida com os gestores dos projetos finalisticos do SEBRAE/PB e a segunda com os públicos de cada projeto. Inicialmente utilizamos como procedimento metodológico a organização de ações teóricas dedicadas ao estudo de autores que tratam da discussão da comunicação empresarial como diferencial competitivo e estratégico para o negócio, compondo uma pesquisa bibliográfica para capacitar os alunos fazendo uso das teorias de diversos autores tais como: Kunsch, Torquato, Tavares, Lucas, Scott, Simões, Chiavenato, Bueno, Argenti, Corrado, Drucker, entre outros.
Após qualificar os alunos para o entendimento, pesquisa e planejamento da comunicação no universo das Micro e Pequenas Empresas (MPEs), fizemos o levantamento das empresas que estão associadas ao SEBRAE/PB por meio de entrevista com os gestores dos projetos finalísticos desta instituição.
Com o levantamento das MPEs, a etapa seguinte constituiu-se em realizar uma pesquisa de opinião junto às empresas cadastradas no SEBRAE a fim de identificar o entendimento e as demandas de comunicação neste universo. Com isto, iniciaremos a fase de campo na qual os alunos poderão iniciar o processo de consultoria com a aplicação da pesquisa para diagnosticar a realidade deste nicho de mercado e visualizar as possibilidades (ou não) de atuação profissional, assim como divulgar a comunicação como estratégia que agrega valor e gera resultados a todos os negócios.
Esta etapa foi finalizada com a tabulação dos dados. Porém o diagnóstico e a estratégias, políticas e diretrizes de comunicação para a implantação da consultoria serão finalizadas na edição 2010 do Probex, dando continuidade ao projeto.
Considerações Finais
Elaborar e desenvolver uma consultoria de comunicação junto às Micro e Pequenas Empresas de João Pessoa não está sendo uma tarefa muito simples. O entendimento deste universo sobre a área de comunicação é restrito as ações de comunicação mercadológica e, paralelamente, são vistas como um “grande gasto de dinheiro”.
Com poucos recursos e tendo que sobreviver num mercado cada vez mais competitivo, as MPEs demonstraram muito receio em receber os alunos extensionistas do projeto, mesmo sabendo que nós estamos desenvolvendo o projeto em parceria com o SEBRAE/PB.
Foram muitas indas e vindas para obter as informações, o que gerou atrasou no nosso planejamento e uma maior reflexão de como devemos nos preparar para atuar nessa área. Durante a aplicação da pesquisa os extensionistas observaram que a maioria dos gestores se surpreendeu com o questionário, ou seja, com a dimensão da área de comunicação que pode ser desenvolvida por uma empresa. Porém, não conseguiram num primeiro vislumbrar o uso destas em seu negócio.
Por isso, verificamos num primeiro momento que falar a linguagem do negócio é fundamental para o profissional de comunicação. Essa é a primeira estratégia que deverá ser levada em consideração para se aproximar deste universo. Devemos ter consciência que a codificação da mensagem é essencial para iniciar o diálogo.
Encerramos o probex 2009 com a tabulação dos questionários, como dito anteriormente, porém continuamos em 2010 com a elaboração do diagnóstico e o planejamento das ações de comunicação para este universo.
Acreditamos que este universo empresarial é o foco do desenvolvimento para o Estado da Paraíba e, principalmente, a área de atuação para os novos profissionais formados na área de comunicação, tendo em vista que o mercado das grandes empresas está cada vez mais saturado e com exigências que muitas vezes exclui as chances daqueles que tem potencial, porém ainda busca experiência e legitimação no mercado.
REFERÊNCIAS
ARGENTI, Paul P. Comunicação empresarial. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006.
BUENO, Wilson da Costa. Comunicação empresarial: teoria e pesquisa. São Paulo: Manole, 2003.
CARVALHO, Carlos Eduardo. Cultura organizacional: teoria e pesquisa. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura,2005.
CHIAVENATO, Idalberto. Administração nos novos tempos. 2.ed. Rio de Janeiro: Campus, 1999.
COBRA, Marcos. Marketing Básico. São Paulo, Atlas, 1986.
DRUCKER, Peter F. Inovação e Espírito Empreendedor. Prática e Princípios. São Paulo, Cengage Learning, 1982.
GANDIN, Danilo do Santos. A prática do planejamento participativo: na educação e em outras instituições,grupos e movimentos dos campos cultural, social, político, religioso e governamental, 8ª ed. Petrópolis:vozes, 2000a.
GARCIA, Maria Thereza. Marketing e comunicação para pequenas empresas. São Paulo: Ed. Nova Tec,2006.
GOMES, Nelson, NASSAR, Paulo. A comunicação da pequena empresa. São Paulo: Globo, 2001.
KENDZERSKI, Paulo. Comunicação Corporativa: o caminho para o sucesso ou fracasso empresarial –Disponível em: www.Catho Educação Executiva.com. br. Acesso em: 02 de fev. 2008.
KUNSCH, Margarida Krohling. Planejamento de Relações Públicas na comunicação integrada. 4.ed. rev.,atual. e ampl. – São Paulo: Summus, 2003.
MAGALHÃES, Hélio Augusto de. COMUNICACAO EMPRESARIAL NOS DIAS DE HOJE – Disponível em:www.aberje.com.br. Acesso em: 01de fev2008.
PIMENTA, Maria Alzira. Comunicação empresarial: conceitos e técnicas para administradores. 3. Ed. São Paulo: Alínea, 2002.
PINHEIRO, Duda. Comunicação integrada de marketing. São Paulo: Atlas,2002.
SANTOS CLARO, José Roberto Carvalho dos. Uso das novas ferramentas do marketing no processo comunicacional das pequenas empresas na internet. Disponível em: http://www.portal-rp.com.br/bibliotecavirtual/outrasareas/marketing01/0121.htm. acesso em 24.04.2009
SCHULER, Maria. Comunicação estratégica. São Paulo: Atlas, 2004.
TAVARES, Mauricio. Comunicação empresarial e planos de comunicação. São Paulo: Atlas, 2007.
TERENCE, A. C. F.; ESCRIVAO FILHO, E. Planejamento estratégico na pequena empresa. In: XI Encontro Nacional de Engenharia de Produção, 2001. XI ENEGEP, 2002
Do Broadcast ao Socialcast - Manoel Fernandes download
Postado por
Patrícia Morais
às
10:13
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Para os interessado em aprender um pouco mais sobre os negócios na era digital. Indico a leitura deste livro.
Do Broadcast ao Socialcast - Manoel Fernandes download
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O que é cibercultura? Por André Lemos
Postado por
Patrícia Morais
às
15:47
quarta-feira, 4 de maio de 2011
Neste vídeo, André Lemos aborda que a Cibercultura é um ambiente de ampliar a leitura e produzir conteúdo em rede.Cabe a nós sabermos fazer o uso correto deste espaço, criando o próprio nicho, e não confundi-lo apenas com atualização de equipamentos tecnológicos.
Bar Aurora & Boteco Ferraz - Drunk Valet
Postado por
Patrícia Morais
às
11:44
Para quem curte uma boa noite de boemia, segue a dica do Bar Aurora & Boteco Ferraz. Reflitam nesta criativa publicidade, repense seus atos.
Bares entregam conta de R$ 73 mil para alertar motoristas bêbados
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Patrícia Morais
às
11:42
São ações como esta que estimulam a cidadania e conscientizam a população de seus atos de forma criativa, inovadora e com fatos reais. Vale a pena assistir.
Resenha - Inovação: repensando as organizações
Postado por
Patrícia Morais
às
10:21
terça-feira, 3 de maio de 2011
Resenha
Inovação: repensando as organizações
(BAUTZER, Daise. São Paulo: Atlas, 2009.)
Patrícia Morais da Silva
Superar as expectativas do mercado atendendo de forma satisfatória as demandas dos clientes e obter margens de lucro relevante é o que busca toda empresa nos dias atuais. Entretanto, sabemos que o advento da globalização promove cada vez mais a competição entre empresas, forçando-as a se qualificarem e apresentar sempre um diferencial competitivo a fim de se manterem no mercado. Inovar sempre! Esse é o discurso que ouvimos de empresários, consultores e o próprio mercado. Mas o que é inovar diante da dinâmica do mercado e do comportamento e consciência cidadã cada vez mais critica dos novos consumidores?
Nesta obra, Bautzer desenvolve o conceito de inovação no contexto empresarial mostrando que para as empresas possuírem o diferencial competitivo precisam muito mais do que inovar em determinada área, é necessário envolver a organização como um todo, conforme diz Costa apud Bautzer(p.xi): “Inovar é um hábito que permeia toda a empresa, incluídos ai seus processos, pessoas e até mesmo seus relacionamentos com o mercado e com seus stakeholders.” Sendo assim, é necessário que a organização reveja seu planejamento e inicie atividades mais empreendedoras.
Daise Bautzer, doutoranda da American World Univesity - Mississipi USA, é consultora e palestrante nas áreas de planejamento, inovação e marketing desde 1993. O primeiro capítulo do livro nos leva a refletir em como se dá o processo de gestão nas organizações de forma que haja realmente inovação e comprometimento de todos os objetivos a serem alcançados.
Conceituar inovação no contexto organizacional está relacionado com a capacidade de empreender em todo processo produtivo, seja este tecnológico, humano, na concepção de novos produtos e serviços, promovendo novas tendências para o mercado e tornando o gerenciamento das organizações mais sustentáveis. Essa nova forma de comportamento das organizações recebe influência direta do novo comportamento do consumidor como diz a autora quando formula o novo perfil deste público: Porque o consumidor mudou seu comportamento de compra. Seu universo cresceu; ele hoje faz parte de muitas tribos – ao mesmo tempo – virtualmente; seu bem estar é imediato e „pouco durável‟ ele tem um universo de informações à sua disposição, pode comparar melhor sobre seu meio, ele é sensorial, e seu comportamento de compra é bem mais complexo e está ligado as suas experiências de compra (p.5) Mas será que foi só o consumidor que mudou? Claro que não. O processo evolutivo envolve todos aqueles que dele faz parte, de forma contínua, mantendo a competitividade, porém, isso não significa que esteja desenvolvendo a inovação.
A inovação requer o envolvimento de pessoas com capacidade de apreender, assumir riscos e criar novos métodos com visão sistêmica sobre a organização e seu cenário. Bautzer (p.9) explica esse conceito de inovação afirmando que: Inovar em processos significa que a empresa possa implementar um novo processo de produção, um novo sistema de distribuição, novos conceitos sobre logística e suprimentos, repensar seus bens e serviços ou agregar qualquer novo significado que modifique sensivelmente a „forma de fazer as coisas dentro da empresa‟. Essa nova forma de atender as demandas dos públicos significa, também, aumentar o lucro por meio de estratégias inovadoras que no contexto atual, deve ser formulada com base no conhecimento de mercado, na análise do setor e de seus públicos e nos modelos mentais que regem o processo administrativo de uma empresa. É no ambiente interno da organização que devemos buscar a mudança de paradigmas com base no conhecimento, estratégia, cultura e tecnologia. A autora afirma que é com base nestes preceitos que conseguimos perceber a interligação entre inovação e estratégia que, por sua vez, é a base de desenvolvimento e geração de lucros de uma organização. Para complementar esta análise faz- se necessário conhecermos os indivíduos que fazem a organização para identificar os modelos mentais que prevalecem nesta, ou seja, como pensam e agem as pessoas na organização, a fim de melhor orientá-los na produção do conhecimento.
A gestão do conhecimento é o capital simbólico das organizações no contexto atual. É com base neste tipo de gestão que as empresas buscam seu diferencial competitivo, além do desempenho das funções de planejar, liderar e controlar que exigem o mesmo dinamismo e inovação. Bautzer afirma que as empresas passam a competir em mercados globalizados, orientados através da gestão digital e com a colaboração de trabalhadores que possuem como diferencial o capital intelectual. Segundo a autora “o conhecimento é o elemento básico da mudança e da inovação. É através dele que criamos e que somos ou não capazes de agregar pessoas ao redor de ideologias.” (p.34). É para melhor gerenciar o conhecimento e estimular pessoas enquanto recurso estratégico, já que as organizações encontraram nas novas tecnologias a possibilidade de inovar no processo de gestão do conhecimento e tornar as empresas mais competitivas.
Um dos pontos abordado pela autora no segundo capítulo diz respeito ao perfil do gestor nas organizações modernas. Este profissional, além de controlar, liderar e planejar, terá que inovar, empreender, correr riscos e dominar as novas tecnologias juntamente com a gestão do conhecimento sempre com inovação e criatividade. Um dos critérios que legitimam a gestão da inovação é a capacidade de mediação que as ferramentas tecnológicas nos possibilitam, proporcionando a construção de conhecimentos e assumindo uma prática colaborativa dentro das empresas. ( p.51) É este profissional que vai gerenciar e desenvolver objetivos e estratégias nas organizações, aliados ao fenômeno das novas tecnologias. O avanço destas e o barateamento das ferramentas digitais favoreceram o maior acesso dos indivíduos e organizações aos novos recursos tecnológicos e, principalmente, as redes sociais.
Constitui uma rede social um agrupamento de pessoas interligadas entre si por meio de ambientes, que favorecem o encontro e a troca de informação/experiência, via online. As redes sociais são consideradas o novo nicho mercadológico e estratégico para as empresas. É por meio dela que se pode estreitar os relacionamentos, produzir conteúdo e promover a troca de conhecimento de forma mais sistemática, conforme explica a autora. “Informação é a força motriz da comunicação e o fluxo rápido e estável de informações estratégicas que enriquecem e constroem vantagem competitiva a uma organização”. (p.55). De acordo com esta afirmativa, verificamos que o papel da comunicação é estratégico no fluxo sistemático de uma empresa e deve ser alinhado as novas mídias, como exemplo as redes sociais enquanto forma de relacionamento, e a gestão do conhecimento, de forma tal que a comunicação seja eficaz e sustentável.
Tratar a comunicação nas redes sociais vai muito além do envio de informação; é necessário realinhar a linguagem, os fluxos e os interesses dos diversos públicos (internos e externos) aos interesses organizacionais, ou seja, saber ouvir, compreender os interesses mútuos para gerir um processo de conhecimento com inovação. Já as redes sociais internas promovem o fluxo de comunicação enquanto um processo inovador de difusão de informação e de conhecimento no qual todos participam a fim de proporcionar o desenvolvimento com eficácia, das prioridades estratégicas da organização, conforme diz a autora: “no modelo de gestão da inovação, a comunicação é uma ferramenta de controle do ambiente organizacional, possibilitando a inter-relação entres seus players”. (p.64)
O processo de comunicação nas organizações é representado por quatro dimensões que, segundo Restreppo apud Bautzer(2009), explicita e justifica o uso da comunicação como ferramenta de controle, apresentando a comunicação como: informação, divulgação, gerador de relações e participação. Desta forma, constatamos a importância deste processo na gestão do conhecimento nas redes sociais internas e externas, inovando e desenvolvendo estratégias mais eficazes nas empresas. Porém, sabemos que as empresas independente de seu porte e/ou área de atuação fazem uso da comunicação, em sua maioria, como divulgação e desenvolvem estratégias sob este foco de forma desordenada, provocando altos custos e pouco retorno, além de desqualificar as demais funções da área deixando de produzir resultados mais efizaes.
Quando Bautzer (p.65) diz que “o desafio está em tornar o internauta não num agente passivo da informação, mas naquele que é capaz de promover escolhas inteligentes e identificar ambientes inovadores”, mostra que o mundo digital requer da inovação para o processo contínuo da organização. A comunicação passa agora pela gestão digital e cada vez mais vai requerer inovação e conhecimento para satisfazer e atender as demandas do neoconsumidor. Entretanto, percebemos que muitas empresas fazem do mundo digital, ou melhor, das redes sociais apensas um repositório de informações sem estratégia de gerenciamento e interação, promovendo apenas a comunicação de mão única.
O último capítulo deste livro reflete a importância do planejamento para uma empresa. O planejamento – que é essencial na busca de resultados – deve promover objetivos, metas e estratégias inovadoras a fim de diferenciar a empresa no mercado. De acordo com Bautzer, é preciso que as organizações se conscientizem que o processo de inovação deve estar intrínseco ao planejamento da empresa, assim como o conhecimento, a comunicação, de forma contínua e viável para a obtenção de resultados.
Ao analisarmos esta obra verificamos que a inovação deve ser uma constante no processo contínuo de desenvolvimento. E inovar vai muito além do simples ato de trocar equipamentos. Hoje este processo requer de um elemento essencial para gerenciamento e processos, a gestão do conhecimento. É por meio do conhecimento que buscaremos o diferencial competitivo da organização e, juntamente, com a comunicação e a nova tecnologia poderemos gerenciar e propor novas estratégias de relacionamento com os diversos públicos da empresa. Sabemos que este não é um processo de fácil compreensão e aceitação e, para o entendimento do leitor, se faz necessário a prática, a vivência da resolução dos problemas a fim de conhecer e propor melhorias adequadas a realidade da organização.
O livro em si deixa claro seu propósito e esclarece os conceitos chaves que discute, porém se houvesse estudos de caso poderia se mais dinâmico e compreensível o aprendizado. As idéias centrais do livro “Inovação. Repensando as organizações” estão divididas em cinco capítulos abordando desde o conceito da inovação, passando pelo mercado, ferramentas tecnológicas até o processo de construção do planejamento. A linguagem é fácil e objetiva tornando a leitura agradável aqueles que almejam melhorar seus conhecimentos.
Inovação: repensando as organizações
(BAUTZER, Daise. São Paulo: Atlas, 2009.)
Patrícia Morais da Silva
Superar as expectativas do mercado atendendo de forma satisfatória as demandas dos clientes e obter margens de lucro relevante é o que busca toda empresa nos dias atuais. Entretanto, sabemos que o advento da globalização promove cada vez mais a competição entre empresas, forçando-as a se qualificarem e apresentar sempre um diferencial competitivo a fim de se manterem no mercado. Inovar sempre! Esse é o discurso que ouvimos de empresários, consultores e o próprio mercado. Mas o que é inovar diante da dinâmica do mercado e do comportamento e consciência cidadã cada vez mais critica dos novos consumidores?
Nesta obra, Bautzer desenvolve o conceito de inovação no contexto empresarial mostrando que para as empresas possuírem o diferencial competitivo precisam muito mais do que inovar em determinada área, é necessário envolver a organização como um todo, conforme diz Costa apud Bautzer(p.xi): “Inovar é um hábito que permeia toda a empresa, incluídos ai seus processos, pessoas e até mesmo seus relacionamentos com o mercado e com seus stakeholders.” Sendo assim, é necessário que a organização reveja seu planejamento e inicie atividades mais empreendedoras.
Daise Bautzer, doutoranda da American World Univesity - Mississipi USA, é consultora e palestrante nas áreas de planejamento, inovação e marketing desde 1993. O primeiro capítulo do livro nos leva a refletir em como se dá o processo de gestão nas organizações de forma que haja realmente inovação e comprometimento de todos os objetivos a serem alcançados.
Conceituar inovação no contexto organizacional está relacionado com a capacidade de empreender em todo processo produtivo, seja este tecnológico, humano, na concepção de novos produtos e serviços, promovendo novas tendências para o mercado e tornando o gerenciamento das organizações mais sustentáveis. Essa nova forma de comportamento das organizações recebe influência direta do novo comportamento do consumidor como diz a autora quando formula o novo perfil deste público: Porque o consumidor mudou seu comportamento de compra. Seu universo cresceu; ele hoje faz parte de muitas tribos – ao mesmo tempo – virtualmente; seu bem estar é imediato e „pouco durável‟ ele tem um universo de informações à sua disposição, pode comparar melhor sobre seu meio, ele é sensorial, e seu comportamento de compra é bem mais complexo e está ligado as suas experiências de compra (p.5) Mas será que foi só o consumidor que mudou? Claro que não. O processo evolutivo envolve todos aqueles que dele faz parte, de forma contínua, mantendo a competitividade, porém, isso não significa que esteja desenvolvendo a inovação.
A inovação requer o envolvimento de pessoas com capacidade de apreender, assumir riscos e criar novos métodos com visão sistêmica sobre a organização e seu cenário. Bautzer (p.9) explica esse conceito de inovação afirmando que: Inovar em processos significa que a empresa possa implementar um novo processo de produção, um novo sistema de distribuição, novos conceitos sobre logística e suprimentos, repensar seus bens e serviços ou agregar qualquer novo significado que modifique sensivelmente a „forma de fazer as coisas dentro da empresa‟. Essa nova forma de atender as demandas dos públicos significa, também, aumentar o lucro por meio de estratégias inovadoras que no contexto atual, deve ser formulada com base no conhecimento de mercado, na análise do setor e de seus públicos e nos modelos mentais que regem o processo administrativo de uma empresa. É no ambiente interno da organização que devemos buscar a mudança de paradigmas com base no conhecimento, estratégia, cultura e tecnologia. A autora afirma que é com base nestes preceitos que conseguimos perceber a interligação entre inovação e estratégia que, por sua vez, é a base de desenvolvimento e geração de lucros de uma organização. Para complementar esta análise faz- se necessário conhecermos os indivíduos que fazem a organização para identificar os modelos mentais que prevalecem nesta, ou seja, como pensam e agem as pessoas na organização, a fim de melhor orientá-los na produção do conhecimento.
A gestão do conhecimento é o capital simbólico das organizações no contexto atual. É com base neste tipo de gestão que as empresas buscam seu diferencial competitivo, além do desempenho das funções de planejar, liderar e controlar que exigem o mesmo dinamismo e inovação. Bautzer afirma que as empresas passam a competir em mercados globalizados, orientados através da gestão digital e com a colaboração de trabalhadores que possuem como diferencial o capital intelectual. Segundo a autora “o conhecimento é o elemento básico da mudança e da inovação. É através dele que criamos e que somos ou não capazes de agregar pessoas ao redor de ideologias.” (p.34). É para melhor gerenciar o conhecimento e estimular pessoas enquanto recurso estratégico, já que as organizações encontraram nas novas tecnologias a possibilidade de inovar no processo de gestão do conhecimento e tornar as empresas mais competitivas.
Um dos pontos abordado pela autora no segundo capítulo diz respeito ao perfil do gestor nas organizações modernas. Este profissional, além de controlar, liderar e planejar, terá que inovar, empreender, correr riscos e dominar as novas tecnologias juntamente com a gestão do conhecimento sempre com inovação e criatividade. Um dos critérios que legitimam a gestão da inovação é a capacidade de mediação que as ferramentas tecnológicas nos possibilitam, proporcionando a construção de conhecimentos e assumindo uma prática colaborativa dentro das empresas. ( p.51) É este profissional que vai gerenciar e desenvolver objetivos e estratégias nas organizações, aliados ao fenômeno das novas tecnologias. O avanço destas e o barateamento das ferramentas digitais favoreceram o maior acesso dos indivíduos e organizações aos novos recursos tecnológicos e, principalmente, as redes sociais.
Constitui uma rede social um agrupamento de pessoas interligadas entre si por meio de ambientes, que favorecem o encontro e a troca de informação/experiência, via online. As redes sociais são consideradas o novo nicho mercadológico e estratégico para as empresas. É por meio dela que se pode estreitar os relacionamentos, produzir conteúdo e promover a troca de conhecimento de forma mais sistemática, conforme explica a autora. “Informação é a força motriz da comunicação e o fluxo rápido e estável de informações estratégicas que enriquecem e constroem vantagem competitiva a uma organização”. (p.55). De acordo com esta afirmativa, verificamos que o papel da comunicação é estratégico no fluxo sistemático de uma empresa e deve ser alinhado as novas mídias, como exemplo as redes sociais enquanto forma de relacionamento, e a gestão do conhecimento, de forma tal que a comunicação seja eficaz e sustentável.
Tratar a comunicação nas redes sociais vai muito além do envio de informação; é necessário realinhar a linguagem, os fluxos e os interesses dos diversos públicos (internos e externos) aos interesses organizacionais, ou seja, saber ouvir, compreender os interesses mútuos para gerir um processo de conhecimento com inovação. Já as redes sociais internas promovem o fluxo de comunicação enquanto um processo inovador de difusão de informação e de conhecimento no qual todos participam a fim de proporcionar o desenvolvimento com eficácia, das prioridades estratégicas da organização, conforme diz a autora: “no modelo de gestão da inovação, a comunicação é uma ferramenta de controle do ambiente organizacional, possibilitando a inter-relação entres seus players”. (p.64)
O processo de comunicação nas organizações é representado por quatro dimensões que, segundo Restreppo apud Bautzer(2009), explicita e justifica o uso da comunicação como ferramenta de controle, apresentando a comunicação como: informação, divulgação, gerador de relações e participação. Desta forma, constatamos a importância deste processo na gestão do conhecimento nas redes sociais internas e externas, inovando e desenvolvendo estratégias mais eficazes nas empresas. Porém, sabemos que as empresas independente de seu porte e/ou área de atuação fazem uso da comunicação, em sua maioria, como divulgação e desenvolvem estratégias sob este foco de forma desordenada, provocando altos custos e pouco retorno, além de desqualificar as demais funções da área deixando de produzir resultados mais efizaes.
Quando Bautzer (p.65) diz que “o desafio está em tornar o internauta não num agente passivo da informação, mas naquele que é capaz de promover escolhas inteligentes e identificar ambientes inovadores”, mostra que o mundo digital requer da inovação para o processo contínuo da organização. A comunicação passa agora pela gestão digital e cada vez mais vai requerer inovação e conhecimento para satisfazer e atender as demandas do neoconsumidor. Entretanto, percebemos que muitas empresas fazem do mundo digital, ou melhor, das redes sociais apensas um repositório de informações sem estratégia de gerenciamento e interação, promovendo apenas a comunicação de mão única.
O último capítulo deste livro reflete a importância do planejamento para uma empresa. O planejamento – que é essencial na busca de resultados – deve promover objetivos, metas e estratégias inovadoras a fim de diferenciar a empresa no mercado. De acordo com Bautzer, é preciso que as organizações se conscientizem que o processo de inovação deve estar intrínseco ao planejamento da empresa, assim como o conhecimento, a comunicação, de forma contínua e viável para a obtenção de resultados.
Ao analisarmos esta obra verificamos que a inovação deve ser uma constante no processo contínuo de desenvolvimento. E inovar vai muito além do simples ato de trocar equipamentos. Hoje este processo requer de um elemento essencial para gerenciamento e processos, a gestão do conhecimento. É por meio do conhecimento que buscaremos o diferencial competitivo da organização e, juntamente, com a comunicação e a nova tecnologia poderemos gerenciar e propor novas estratégias de relacionamento com os diversos públicos da empresa. Sabemos que este não é um processo de fácil compreensão e aceitação e, para o entendimento do leitor, se faz necessário a prática, a vivência da resolução dos problemas a fim de conhecer e propor melhorias adequadas a realidade da organização.
O livro em si deixa claro seu propósito e esclarece os conceitos chaves que discute, porém se houvesse estudos de caso poderia se mais dinâmico e compreensível o aprendizado. As idéias centrais do livro “Inovação. Repensando as organizações” estão divididas em cinco capítulos abordando desde o conceito da inovação, passando pelo mercado, ferramentas tecnológicas até o processo de construção do planejamento. A linguagem é fácil e objetiva tornando a leitura agradável aqueles que almejam melhorar seus conhecimentos.
Cesrei promove Encontro de Comunicação e Mídia
Postado por
Patrícia Morais
às
05:12
A Cesrei Faculdade está com inscrições abertas para o Encontro de Comunicação e Mídia – ECOM, evento acadêmico na área de Comunicação, que abordará a utilização das redes sociais na Publicidade e na Comunicação, e esta ferramenta como mais um tipo de mídia para as agências e empresas. O intuito é reunir alunos, professores e profissionais de Publicidade e Propaganda, Jornalismo, Educomunicação, Arte e Mídia, Audiovisual e áreas afins.
As inscrições para quem vai apresentar trabalhos (GT’s) prosseguem até o próximo dia 02 de maio (segunda-feira), data em que devem ser entregues os resumos. Estudantes pagam R$ 20,00 (vinte reais) e profissionais e professores R$ 30,00 (trinta reais). A partir desta data as inscrições prosseguem para participação nas oficinas, palestras e mesas-redonda. Os interessados devem procurar a tesouraria da Cesrei, das 16h às 22h de segunda a sexta e, sábado, das 08h ao meio dia.
O ECOM acontece de 19 a 21 de maio, no Centro de Arte e Cultura da UEPB (antigo Museu de Arte Assis Chateaubriand), sendo os GT’s e Oficinas realizados na Cesrei Faculdade. Na programação de abertura, dia 19, às 19h, haverá palestra com o publicitário Edu Cury, seguida de mesa debatedora sobre o tema do evento com o jornalista Ricardo Oliveira e o publicitário Saulo Matias. A professora Danielle Andrade fará a mediação. No dia 21 serão apresentados Cases das Agências que utilizam as mídias sociais como ferramenta criativa e um debate que tratará da relação entre sites de Compras Coletivas e Agências de Publicidade.
As oficinas irão trabalhar StopMotion, com João Neto; Publicidade para as novas mídias, com Laercio Barros; Fotografia com Sóstenes Lopes; Dupla de Criação (Redator e Diretor de Arte), com Masao Yogi e Rodrigo Cruz e ainda Jornalismo e Redes Sociais, com Silvana Torquato e Esdras Marchezan.
Fique de olho no Portal da Cesrei e tire suas dúvidas pelo twitter (@faculdadecesrei) ou pelo e-mail ecom@cesrei.com.br.
As inscrições para quem vai apresentar trabalhos (GT’s) prosseguem até o próximo dia 02 de maio (segunda-feira), data em que devem ser entregues os resumos. Estudantes pagam R$ 20,00 (vinte reais) e profissionais e professores R$ 30,00 (trinta reais). A partir desta data as inscrições prosseguem para participação nas oficinas, palestras e mesas-redonda. Os interessados devem procurar a tesouraria da Cesrei, das 16h às 22h de segunda a sexta e, sábado, das 08h ao meio dia.
O ECOM acontece de 19 a 21 de maio, no Centro de Arte e Cultura da UEPB (antigo Museu de Arte Assis Chateaubriand), sendo os GT’s e Oficinas realizados na Cesrei Faculdade. Na programação de abertura, dia 19, às 19h, haverá palestra com o publicitário Edu Cury, seguida de mesa debatedora sobre o tema do evento com o jornalista Ricardo Oliveira e o publicitário Saulo Matias. A professora Danielle Andrade fará a mediação. No dia 21 serão apresentados Cases das Agências que utilizam as mídias sociais como ferramenta criativa e um debate que tratará da relação entre sites de Compras Coletivas e Agências de Publicidade.
As oficinas irão trabalhar StopMotion, com João Neto; Publicidade para as novas mídias, com Laercio Barros; Fotografia com Sóstenes Lopes; Dupla de Criação (Redator e Diretor de Arte), com Masao Yogi e Rodrigo Cruz e ainda Jornalismo e Redes Sociais, com Silvana Torquato e Esdras Marchezan.
Fique de olho no Portal da Cesrei e tire suas dúvidas pelo twitter (@faculdadecesrei) ou pelo e-mail ecom@cesrei.com.br.
As Redes Sociais e os novos hábitos culturais dos consumidores na comunicação mercadológica do século XXI
Postado por
Patrícia Morais
às
10:52
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Mitchell Figueiredo de AZEVEDO
Patrícia Morais de AZEVEDO
RESUMO
Com a rápida expansão da internet e as transformações nas camadas sociais, foi dada ao consumidor contemporâneo a oportunidade de ser visto de maneira diferenciada pela grande maioria das empresas globais ou não. A possibilidade de novos negócios, a divulgação da marca, a inovação dos produtos, além do contato direto com o consumidor on line, trouxe ao mercado mundializado e, inevitavelmente aberto ao modismo das inúmeras redes sociais, um novo pensamento sobre as estratégias de alcance deste consumidor. Neste artigo vamos analisar esse movimento e entendermos sobre a tendência groundswell que invade a internet, por meio das redes sociais, que transforma o conteúdo produzido pelos consumidores em receita para as empresas se manterem ativas no mercado e aponta para uma nova era na comunicação empresarial.
PALAVRAS-CHAVE: neoconsumidor; redes sociais; groundswell; comunicação empresarial.
A Comunicação Organizacional e as tendências midiáticas
Os tempos já são outros, não só pela mudança natural dos conceitos de sociedade, como também mudaram as formas de comunicação exercida pelas Organizações contemporâneas que diferentemente das décadas de setenta e oitenta contavam apenas com os veículos de massa para divulgarem seus produtos, sem que não tivessem que se preocuparem com as insatisfações dos consumidores daquela época.
Com o advento da Internet, a popularização crescente dos computadores, bem como a expansão acelerada da banda larga a sociedade moderna, segundo Moraes, (2006) “dá indícios de não sobreviver sem as máquinas que atualizam a existência em frações de segundo”, trata-se um campo sem fronteiras mergulhando a sociedade em delírio espacial, no qual o ciberespaço está configurado por uma digitalização de redes que convergem em linguagem uniformizada pelos dados, pelos sons e pelas imagens. Nesse sentido, Bueno (2003) afirma que, “a nova economia digital pretende obedecer a outros parâmetros, e, certamente [...] revolucionará não apenas os processos de gestão, mas a própria comunicação empresarial.”
Nesse momento é importante observar que as empresas devem perceber as novas formas de pensar sua atuação mercadológica, uma vez que a comunicação bem como a visibilidade empresarial obtém novos contornos midiáticos, à medida que, pessoas e grupos de pessoas ganham autonomia para exprimirem suas opiniões, sentimentos, crenças, impressões acerca de tudo aquilo que provém das empresas, segundo Montardo e Carvalho (2009 p. 154):
“a participação crescente do consumidor na produção e distribuição de informações e de opiniões a respeito de produtos, serviços e marcas na web e, em função disso, na sua atuação na concepção destes, é uma constatação que tem desafiado as competências das áreas de comunicação e marketing.”
Podemos perceber que estamos inseridos em um contexto sócio-político-economico de realidade no qual a informação, os produtos, as marcas ou mesmo as pessoas em suas relações sejam estas de cunho privado ou público devem, em sua essência agregar valor e este só será alcançado se houver um processo de comunicação contínua e de retroalimentação gerando um mercado de consumo garantido.
O consumidor e as novas tendências cibernéticas
Ao longo de décadas grande parte dos consumidores desejaram um espaço para poder se expressar, colocar ideias, fazer reclamações, trocar informações sobre produtos e serviços, entretanto, isso só foi efetivamente viável com a expansão da internet e, naturalmente, após a crescente onda das redes sociais. Nos anos 2000, surge um consumidor muito mais exigente que outrora, pois além da consciência da legislação protetora dos seus direitos e o favorecimento de uma concorrência empresarial, a web oferece ao mesmo o poder de funcionar como uma mídia, considerando que é possível as pessoas se unirem e promover uma ampla troca de informações sobre tudo referente aos produtos que o cercam.
Diante deste cenário entendemos que cabe um questionamento; Como a percepção dos integrantes de uma rede social pode modificar as estratégias de criação e de divulgação de um produtos ou serviço?
A todo o momento é possível descobrir o surgimento de uma nova rede social na internet, a qual entendemos como uma forma representativa das relações afetivas ou ainda, profissionais de um determinado grupo de pessoas com interesses convergentes e que, em nuvem, tornam-se compartilhadores de valores ideias e objetivos comuns. Desta maneira um grupo de discussão é, em larga maioria, composto por elementos de identidade cultural relativamente semelhante, o que possibilita uma aceleraçao do processo de divulgação e, naturalmente, absorção dos elementos expostos na internet.
Os “neoconsumidores” estão ainda mais fortes com as informações que provém com muita velocidade da internet, sobretudo àqueles conectados às redes sociais. Essa mudança de comportamento on line, é chamado de groundswell que no entendimento de Li (2009, p.10), é “uma tendência social na qual as pessoas usam a tecnologia para obter o que desejam uma das outras, e não com instituições tradicionais como as corporações.” Entendemos que se trata de um encontro de três forças que movem todo um sistema de sobrevivência mercadológica: as pessoas, a tecnologia e os aspectos financeiros.
Movimentos dessa natureza são facilmente encontrados na internet, por exemplo: em sites como eBay o consumidor compra produtos de outro internauta e não de uma loja, o Linux é um sistema operacional desenvolvido por engenheiros que trabalham sem vínculos com nehuma grande Companhia de software, no YOU TUBE é possível publicar seus próprios vídeos ( o que é uma forma de gerar conteúdo) ou seja, será que as empresas estão se deparando com uma desconexão com seus consumidores? As redes sociais representam uma realidade e não um mero movimento passageiro na qual as empresas precisam ter um contato mais próximo com seu consumidor afim de continuar no jogo mercadológico. Para Li (2009, p.13), “no mundo off-line, as pessoas não mudam de comportamento rapidamente, e as empresas podem desenvolver clientes reais. No mundo on-line, as pessoas mudam de comportamento tão logo observem algo melhor.” Por isso é necessário que as empresas mantenham-se integradas e conectadas ao desenvolvimento do comportamento deste neo consumidor.
O fácil acesso às ferramentas de edição e criação de texto, audio e vídeo nos computadores caseiros permitem a todos que disponham de interesse à inclusão no mundo cibernético, nesse sentido, Lévy ( 1999, p.129) diz que, “a maioria das comunidades virtuais estrutura a expressão assinada de seus membros frente a leitores atentos e capazes de responder a outros leitores atentos.” Entendemos que esta maneira de interação entre as pessoas trata-se de formas alternativas de opinião pública, à medida que, blogs (diário pessoal ou em grupo) pode conter opinões, links e fotografia ao mesmo tempo podemos criar podcasts e fazer distribuição desses arquivos em sites como o iTunes (Apple).
As redes sociais avançam pela internet na mesma proporção que as ofertas dos produtos e aquela velha conceituação de públicos se rende aos conceitos mais amplos que o ciberespaço nos impõe, uma vez que a internet nos “convida” frequentemente para um diálogo muito mais ampliado, mais democrático, mais distruido, onde os fluxos de interesses mútuos transitam com muita velocidade que nas mídias de cunho tradicional. Nesse sentido, Lévy (1998), afirma que a participação em comunidades virtuais serve de estímulo à formação de inteligências coletivas, nas quais os indivíduos podem recorrer para trocar informações e conhecimentos.
Um exemplo do nosso cotidiano é o Twitter, o qual nasceu sem muitas pretensões, tendo por objetivo o envio de micromensagens, tendo estas por finalidade relatar o cotidiano das pessoas que frequentassem o microblog. Hoje em dia é perceptível o grande número de usuários devido ao seu poder de alcance e repercussão, não somente as pessoas dos mais variados meios, como também as empresas dos mais variados segmentos seguem essa tendência, conforme avalia Lévy (1999, p.130), “ o apetite para as comunidades virtuais encontra um ideal de relação humana desterritorializada, transversal, livre.” Entretanto, o mais importante não é apenas dispor de um perfil, é sim, saber criar situações que impliquem na participação do internauta contribuindo para o relacionamento mútuo.
Há bem pouco tempo assistimos ao surgimento do Meme da Yahoo e do Google Buzz, este último traz em sua estrutura uma mescla do Twitter com Facebook, Foursquare e FriendFeed, imediatamente atrelado ao Gmail, exige do interessado possuir uma conta de email no Google para que haja o acesso ao Buzz. É importante salientar que o princípio do Buzz é o mesmo do Twitter, ou seja, a pessoa segue e é seguido por outros usuários. Em cada mensagem dos seus seguidos é possível fazer comentários sobre o escrito. Também é possível enviar a mensagem por e-mail e, por fim, caso tenha ativado o GTalk, pode-se começar um bate-papo entre usuários do serviço. Interatividade é a palavra de ordem.
As novas tecnologias para entender a mente do consumidor
Diariamente somos bombardeados por milhares de mensagens publicitárias, as quais estão bem abastecidas por um texto persuasivo e cores contagiantes, tudo para seduzir o consumidor ao consumo. Entretanto, o consumidor contemporâneo não deixa se levar em um primeiro momento, ele deve se sentir realmente motivado para realizar uma nova compra.
Observando esse fenômeno comportamental do consumidor é possível questionar se as pesquisas tradicionais de marketing ainda servem como efetivo referencial no lançamento de um produto ou serviço, áreas como a neurociência, e até mesmo a antropologia estão em alta quando o assunto é compreender os desejos dos consumidores. Segundo Lindstrom, (2009, p.13) “O neuromarketing é a chave para abrir o que chamo de nossa “lógica de consumo” - os pensamentos, sentimentos e desejos subconscientes que impulsionam as decisões de compra que tomamos em todos os dias de nossas vidas.” Naturalmente, o neuromarkting não é a resposta para tudo, até mesmo por se tratar de uma ciência bem recente, estando ainda limitada pela compreensão do cerébro humano. É necessário que entendamos que o neuromarketing tem o propósito de contribuir com a ciência, conforme Lindstrom (2009, p.14), “trata-se simplesmente de um instrumento usado para nos ajudar a decodificar o que nós, consumidores, já estamos pensando ao sermos confrontados por um produto ou marca.” Afinal, o papel do consumidor na sociedade é cada vez mais presente e a forma de relacionar-se com ele pode se tornar um diferencial competitivo de muito valor para as empresas.
A revista HSM (2010, p.70) traz uma matéria, em sua edição de Janeiro, que mostra como a antropologia se preocupa em estudar o consumidor por meio da “ciência da observação de Underhill, remete a uma técnica de pesquisa entnográfica, em que o pesquisador observa seu objeto de estudo em seu habitat natural, como as lojas e a sua casa” afirma o professor da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP)
É importante ressaltarmos que os fatores economicos em escala mundial, a constante inovação tecnológica e a grande quantidade de ofertas mercadológica, sobretudo no varejo do mundo ocidental abriram as portas a uma nova concepção de consumo que está redesenhando modelos de mercados e, evidentemente fazendo nascer novas formas de consumo em todos os setores. Diante do cenário poderiamos dizer que já não são as empresas que fixam prioridades, mas sim os consumidores e, da mesma forma, entendemos que as escolhas dos consumidores estão baseadas em respostas emotivas, de forma geral inconsciente e não intelectual.
A publicidade de massa é posta em xeque, no momento em que se descobre que, em sua maioria as mesmas estão apenas “grintando” com o consumidor. Na atualidade é difícil para os profissionais de marketing estabelecerem formas de alcançar o target, e é aproveitando-se desse gap que as redes sociais impulsionam a dinâmica do processo de divulgação de um produto ou serviço, afinal, é natural que haja um aprendizado mútuo entre as pessoas, havendo ainda, a influência natural que as redes impõem entre seus frequentadores, ocasionando a diluição do valor do marketing tradicional. É frente a esse processo ciberevolutivo que surge um horizonte de demarcações de espaços, onde nele se posiciona a soberania do “neoconsumidor.”
O processo de relacionamento, vantagens e desvantagens e o neoconsumidor
Temos visto surgir várias comunidades que reúnem pessoas na internet, na verdade, estamos falando das redes sociais, que vêm se multiplicando na mesma velocidade da convergência cibernética que avança pelo mundo. O twitter está entre as redes sociais que mais se destacam, pois sua facilidade de acesso de qualquer lugar faz com que a maioria dos acontecimentos seja anunciada primeiro no microblog e o fato de usar mensagens curtas faz com que a mesma seja transmitida e retransmitida rapidamente, nesse sentido Thompson (2002, p. 184) afirma que, “O desenvolvimento da mídia aumentou a capacidade dos indivíduos experimentarem, através da quase-interação mediada, fenômenos que dificilmente poderiam encontrar na rotina ordinária de suas vidas,” desta forma, aclaramos a ideia de que vivemos entre a comunicação de maneira geral, bem como as mediações virtuais as quais somos pertencentes.
O atual profissional da comunicação empresarial deve está preparado para enfrentar os desafios de filtragem das informações advindas da internet, fazendo que tais informações cheguem aos setores competentes, bem como aos internautas, trata-se na verdade, de uma readaptação aos novos tempos, pois este cenário constitui-se em passagem entre as tradicionais mídias e a recém chegada cibercultura. Diante desse contexto é interessante apontarmos para algumas vantagens da rede como ferramenta de relacionamento com os internautas:
• Uma inversão dos modelos tradicionais na comunicação empresarial que tinha como base um direcionamento emissor-receptor para um modelo dialético e mais horizontal;
• A comunicação à distância facilita a possibilidade de respostas, às reivindicações que antes estavam foram do alcance empresarial provocando alterações em um contexto de invenções, das técnicas, no trabalho e nos relacionamentos.
• Com a internet surgiu o prossumer, na verdade, qualquer indivíduo com um micro e uma conexão produz e consume informações, produtos, etc. trata-se de um formador de opinião em potencial e a interatividade permite um feedback mais imediato dos receptores da mensagem.
• As empresas que adotam iniciativas de cunho colaborativo no exercício da liderança caminham para uma vantagem competitiva importante.
As redes sociais além de colaborar no gerenciamento do conhecimento também auxiliam a interação mais informal entre as pessoas com isso os processos do conhecimento organizacional de fluxos acontecem de forma mais natural fazendo com que as pessoas executem suas ações de modo proativo, mais inteligente e produtivo, gerando mais riquezas para as instituições.
Contudo, há também alguns pontos negativos que merecem destaque, naturalmente o profissional de comunicação empresarial deve está preparado para enfrentá-los, alguns citados abaixo, para Terra ( p.6):
• Um dos grandes problemas para a comunicação empresarial ainda está no acesso ainda restrito para uma considerável parcela da população com perfil homogêneo, além de uma grande desconfiança a respeito da segurança na internet por parte da maioria das pessoas
• A internet ainda não é sinônimo de alcance cem por cento, nesse sentindo ainda é impossível substituí-la pelas mídias tradicionais, sem falar que o trabalho de internet é contínuo, sobretudo nos aspectos de feeback com o consumidor.
Entretanto, é importante ressaltar que a rede representa um excelente caminho para aqueles que pretendem obter sucesso na comunicação empresarial com seus públicos, afinal, a web apresenta formas interessantes de produção, comercialização, como também uma segmentação interagindo com os mais diversos públicos, ou seja, sem dúvidas, é um meio que pode potencializar relacionamentos, nesse sentido Castells(2004, p.256) afirma que, “isso significa que a internet é ¬– e será mais ainda mais – o meio de comunicação e de relação essencial sobre o qual se baseia a nova forma de sociedade que já vivemos – aquela que eu chamo de sociedade em Rede. ”
Estamos em novos tempos, mais precisamente na Era da Informação, na Era do neoconsumidor, num instante em que a comunicação e as trocas de experiência ganharam seu espaço e tornaram-se diferencial no mundo dos negócios. Nos idos anos setenta e oitenta as informações partiam dos grandes grupos de Empresas para a sociedade, era a chamada comunicação de massa, hoje em dia ocorre também o contrário, a comunicação parte das massas para a própria massa por meio de uma rede incontrolável de computadores e a empresa que quiser um lugar perto dos seus consumidores devem está atenta a esse fenômeno revolucionário, chamado internet.
“ O resultado concreto da articulação existente entre o modo de produção capitalista e as tecnologias de comunicação e informação: uma sinergia que alimenta a acumulação de capital financeiro numa economia de interconxões eletrônicas.” (Moraes, 2004, p.189)
As empresas de forma geral, num futuro próximo, vão aderir a tendência croundsorcing na qual seu processo de inovação torna-se aberto aos consumidores o que seria uma tentativa de se manterem ativas. A internet é um novo paradigma que constituem em sua essência uma nova base de trabalho, negociações e de iteratividade com o consumidor, conforme afima Moraes (2004) na citação acima.
Considerações finais
A sociedade midiatizada do século XXI está em posição bem mais privilegiada que as de outras épocas, na verdade nunca tivemos tanto acesso às informações das mais variadas procedências e à medida que há expansão da internet, bem como o acesso às novas tecnologias pelas classes menos favorecidas aumenta a tendência groundswell e diminue os espaços das empresas abrindo espaço para um cenário mercadologico mais democrático.
As novas tecnologias e as redes sociais cibernéticas chegaram para ficar e com elas o consumidor se depara com novas possibilidades comportamentais nesta nova configuração do relacionamento entre os públicos e dos públicos com as Organizações. A comunicação de massa passa a ser algo questionável e compreender cada vez mais o sentido de segmentação mercadológica passa a ser prioridade para quem quer permanecer ativo no mercado.
Por fim, esse ponto de vista visa mostrar que a comunicação empresarial deve buscar novos horizontes, pois as formas de pensar e agir estratégicamente nas empresas exigindo das mesmas repensar os fluxos de comunicação, sem esquecer das mídias tradicionais, mas levando a Internet como parte integrante de um processo irreversível de crescimento.
REFERÊNCIAS
BUENO, Wilson da Costa. Comunicação Empresarial: teoria e pesquisa – Barueri, SP: Manole, 2003.
CASTELLS, Manuel. Internet e sociedade em rede. In: MORAES, Denis de. (org.) Por uma outra comunicação. 2ª Ed. Rio de Janeiro: Record, 2004.
CARVALHO, Cíntia e MONTARDO, Sandra Portella. Reputação e Web Semântica: estudo comparativo de buscas aplicados aos blogs. Disponível em: http://revistacmc.espm.br/index.php/revistacmc/article/viewFile/210/172. acesso em 25/04/2010.
LAFUENTE, Florência. Oráculos e o que revelam. HSM Management, São Paulo, n.78, jan-fevereiro de 2010.
LÉVY, Pierre. A Inteligência Coletiva. São Paulo: Loyola, 1998.
______. Cibercultura. São Paulo: Ed. 34, 1999.
LINDSTROM, Martin. A lógica do consumo: verdades e mentiras sobre por que compramos — Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009.
LI, Charlene. E BERNOFF, Josh. Fenômenos sociais nos negócios: vença em um mundo transformado pelas redes sociais – Rio de Janeiro: Elsevier, 2009.
MORAES, Denis de. O capital da mídia na lógica da globalização. In: MORAES, Denis de. (org.) Por uma outra comunicação. 2ª Ed. Rio de Janeiro: Record, 2004.
TERRA, Carolina. As relações públicas e as novas tecnologias de informação e de comunicação. Disponível em: http://www.eca.usp.br/caligrama/n_2/9%20CarolinaTerra.pdf. Acesso em 25/04/2010.
THOMPSON, John B. A mídia e a modernidade: uma teoria social da mídia. 4ª Edição.
Petrópolis: Editora Vozes, 2002.
Patrícia Morais de AZEVEDO
RESUMO
Com a rápida expansão da internet e as transformações nas camadas sociais, foi dada ao consumidor contemporâneo a oportunidade de ser visto de maneira diferenciada pela grande maioria das empresas globais ou não. A possibilidade de novos negócios, a divulgação da marca, a inovação dos produtos, além do contato direto com o consumidor on line, trouxe ao mercado mundializado e, inevitavelmente aberto ao modismo das inúmeras redes sociais, um novo pensamento sobre as estratégias de alcance deste consumidor. Neste artigo vamos analisar esse movimento e entendermos sobre a tendência groundswell que invade a internet, por meio das redes sociais, que transforma o conteúdo produzido pelos consumidores em receita para as empresas se manterem ativas no mercado e aponta para uma nova era na comunicação empresarial.
PALAVRAS-CHAVE: neoconsumidor; redes sociais; groundswell; comunicação empresarial.
A Comunicação Organizacional e as tendências midiáticas
Os tempos já são outros, não só pela mudança natural dos conceitos de sociedade, como também mudaram as formas de comunicação exercida pelas Organizações contemporâneas que diferentemente das décadas de setenta e oitenta contavam apenas com os veículos de massa para divulgarem seus produtos, sem que não tivessem que se preocuparem com as insatisfações dos consumidores daquela época.
Com o advento da Internet, a popularização crescente dos computadores, bem como a expansão acelerada da banda larga a sociedade moderna, segundo Moraes, (2006) “dá indícios de não sobreviver sem as máquinas que atualizam a existência em frações de segundo”, trata-se um campo sem fronteiras mergulhando a sociedade em delírio espacial, no qual o ciberespaço está configurado por uma digitalização de redes que convergem em linguagem uniformizada pelos dados, pelos sons e pelas imagens. Nesse sentido, Bueno (2003) afirma que, “a nova economia digital pretende obedecer a outros parâmetros, e, certamente [...] revolucionará não apenas os processos de gestão, mas a própria comunicação empresarial.”
Nesse momento é importante observar que as empresas devem perceber as novas formas de pensar sua atuação mercadológica, uma vez que a comunicação bem como a visibilidade empresarial obtém novos contornos midiáticos, à medida que, pessoas e grupos de pessoas ganham autonomia para exprimirem suas opiniões, sentimentos, crenças, impressões acerca de tudo aquilo que provém das empresas, segundo Montardo e Carvalho (2009 p. 154):
“a participação crescente do consumidor na produção e distribuição de informações e de opiniões a respeito de produtos, serviços e marcas na web e, em função disso, na sua atuação na concepção destes, é uma constatação que tem desafiado as competências das áreas de comunicação e marketing.”
Podemos perceber que estamos inseridos em um contexto sócio-político-economico de realidade no qual a informação, os produtos, as marcas ou mesmo as pessoas em suas relações sejam estas de cunho privado ou público devem, em sua essência agregar valor e este só será alcançado se houver um processo de comunicação contínua e de retroalimentação gerando um mercado de consumo garantido.
O consumidor e as novas tendências cibernéticas
Ao longo de décadas grande parte dos consumidores desejaram um espaço para poder se expressar, colocar ideias, fazer reclamações, trocar informações sobre produtos e serviços, entretanto, isso só foi efetivamente viável com a expansão da internet e, naturalmente, após a crescente onda das redes sociais. Nos anos 2000, surge um consumidor muito mais exigente que outrora, pois além da consciência da legislação protetora dos seus direitos e o favorecimento de uma concorrência empresarial, a web oferece ao mesmo o poder de funcionar como uma mídia, considerando que é possível as pessoas se unirem e promover uma ampla troca de informações sobre tudo referente aos produtos que o cercam.
Diante deste cenário entendemos que cabe um questionamento; Como a percepção dos integrantes de uma rede social pode modificar as estratégias de criação e de divulgação de um produtos ou serviço?
A todo o momento é possível descobrir o surgimento de uma nova rede social na internet, a qual entendemos como uma forma representativa das relações afetivas ou ainda, profissionais de um determinado grupo de pessoas com interesses convergentes e que, em nuvem, tornam-se compartilhadores de valores ideias e objetivos comuns. Desta maneira um grupo de discussão é, em larga maioria, composto por elementos de identidade cultural relativamente semelhante, o que possibilita uma aceleraçao do processo de divulgação e, naturalmente, absorção dos elementos expostos na internet.
Os “neoconsumidores” estão ainda mais fortes com as informações que provém com muita velocidade da internet, sobretudo àqueles conectados às redes sociais. Essa mudança de comportamento on line, é chamado de groundswell que no entendimento de Li (2009, p.10), é “uma tendência social na qual as pessoas usam a tecnologia para obter o que desejam uma das outras, e não com instituições tradicionais como as corporações.” Entendemos que se trata de um encontro de três forças que movem todo um sistema de sobrevivência mercadológica: as pessoas, a tecnologia e os aspectos financeiros.
Movimentos dessa natureza são facilmente encontrados na internet, por exemplo: em sites como eBay o consumidor compra produtos de outro internauta e não de uma loja, o Linux é um sistema operacional desenvolvido por engenheiros que trabalham sem vínculos com nehuma grande Companhia de software, no YOU TUBE é possível publicar seus próprios vídeos ( o que é uma forma de gerar conteúdo) ou seja, será que as empresas estão se deparando com uma desconexão com seus consumidores? As redes sociais representam uma realidade e não um mero movimento passageiro na qual as empresas precisam ter um contato mais próximo com seu consumidor afim de continuar no jogo mercadológico. Para Li (2009, p.13), “no mundo off-line, as pessoas não mudam de comportamento rapidamente, e as empresas podem desenvolver clientes reais. No mundo on-line, as pessoas mudam de comportamento tão logo observem algo melhor.” Por isso é necessário que as empresas mantenham-se integradas e conectadas ao desenvolvimento do comportamento deste neo consumidor.
O fácil acesso às ferramentas de edição e criação de texto, audio e vídeo nos computadores caseiros permitem a todos que disponham de interesse à inclusão no mundo cibernético, nesse sentido, Lévy ( 1999, p.129) diz que, “a maioria das comunidades virtuais estrutura a expressão assinada de seus membros frente a leitores atentos e capazes de responder a outros leitores atentos.” Entendemos que esta maneira de interação entre as pessoas trata-se de formas alternativas de opinião pública, à medida que, blogs (diário pessoal ou em grupo) pode conter opinões, links e fotografia ao mesmo tempo podemos criar podcasts e fazer distribuição desses arquivos em sites como o iTunes (Apple).
As redes sociais avançam pela internet na mesma proporção que as ofertas dos produtos e aquela velha conceituação de públicos se rende aos conceitos mais amplos que o ciberespaço nos impõe, uma vez que a internet nos “convida” frequentemente para um diálogo muito mais ampliado, mais democrático, mais distruido, onde os fluxos de interesses mútuos transitam com muita velocidade que nas mídias de cunho tradicional. Nesse sentido, Lévy (1998), afirma que a participação em comunidades virtuais serve de estímulo à formação de inteligências coletivas, nas quais os indivíduos podem recorrer para trocar informações e conhecimentos.
Um exemplo do nosso cotidiano é o Twitter, o qual nasceu sem muitas pretensões, tendo por objetivo o envio de micromensagens, tendo estas por finalidade relatar o cotidiano das pessoas que frequentassem o microblog. Hoje em dia é perceptível o grande número de usuários devido ao seu poder de alcance e repercussão, não somente as pessoas dos mais variados meios, como também as empresas dos mais variados segmentos seguem essa tendência, conforme avalia Lévy (1999, p.130), “ o apetite para as comunidades virtuais encontra um ideal de relação humana desterritorializada, transversal, livre.” Entretanto, o mais importante não é apenas dispor de um perfil, é sim, saber criar situações que impliquem na participação do internauta contribuindo para o relacionamento mútuo.
Há bem pouco tempo assistimos ao surgimento do Meme da Yahoo e do Google Buzz, este último traz em sua estrutura uma mescla do Twitter com Facebook, Foursquare e FriendFeed, imediatamente atrelado ao Gmail, exige do interessado possuir uma conta de email no Google para que haja o acesso ao Buzz. É importante salientar que o princípio do Buzz é o mesmo do Twitter, ou seja, a pessoa segue e é seguido por outros usuários. Em cada mensagem dos seus seguidos é possível fazer comentários sobre o escrito. Também é possível enviar a mensagem por e-mail e, por fim, caso tenha ativado o GTalk, pode-se começar um bate-papo entre usuários do serviço. Interatividade é a palavra de ordem.
As novas tecnologias para entender a mente do consumidor
Diariamente somos bombardeados por milhares de mensagens publicitárias, as quais estão bem abastecidas por um texto persuasivo e cores contagiantes, tudo para seduzir o consumidor ao consumo. Entretanto, o consumidor contemporâneo não deixa se levar em um primeiro momento, ele deve se sentir realmente motivado para realizar uma nova compra.
Observando esse fenômeno comportamental do consumidor é possível questionar se as pesquisas tradicionais de marketing ainda servem como efetivo referencial no lançamento de um produto ou serviço, áreas como a neurociência, e até mesmo a antropologia estão em alta quando o assunto é compreender os desejos dos consumidores. Segundo Lindstrom, (2009, p.13) “O neuromarketing é a chave para abrir o que chamo de nossa “lógica de consumo” - os pensamentos, sentimentos e desejos subconscientes que impulsionam as decisões de compra que tomamos em todos os dias de nossas vidas.” Naturalmente, o neuromarkting não é a resposta para tudo, até mesmo por se tratar de uma ciência bem recente, estando ainda limitada pela compreensão do cerébro humano. É necessário que entendamos que o neuromarketing tem o propósito de contribuir com a ciência, conforme Lindstrom (2009, p.14), “trata-se simplesmente de um instrumento usado para nos ajudar a decodificar o que nós, consumidores, já estamos pensando ao sermos confrontados por um produto ou marca.” Afinal, o papel do consumidor na sociedade é cada vez mais presente e a forma de relacionar-se com ele pode se tornar um diferencial competitivo de muito valor para as empresas.
A revista HSM (2010, p.70) traz uma matéria, em sua edição de Janeiro, que mostra como a antropologia se preocupa em estudar o consumidor por meio da “ciência da observação de Underhill, remete a uma técnica de pesquisa entnográfica, em que o pesquisador observa seu objeto de estudo em seu habitat natural, como as lojas e a sua casa” afirma o professor da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP)
É importante ressaltarmos que os fatores economicos em escala mundial, a constante inovação tecnológica e a grande quantidade de ofertas mercadológica, sobretudo no varejo do mundo ocidental abriram as portas a uma nova concepção de consumo que está redesenhando modelos de mercados e, evidentemente fazendo nascer novas formas de consumo em todos os setores. Diante do cenário poderiamos dizer que já não são as empresas que fixam prioridades, mas sim os consumidores e, da mesma forma, entendemos que as escolhas dos consumidores estão baseadas em respostas emotivas, de forma geral inconsciente e não intelectual.
A publicidade de massa é posta em xeque, no momento em que se descobre que, em sua maioria as mesmas estão apenas “grintando” com o consumidor. Na atualidade é difícil para os profissionais de marketing estabelecerem formas de alcançar o target, e é aproveitando-se desse gap que as redes sociais impulsionam a dinâmica do processo de divulgação de um produto ou serviço, afinal, é natural que haja um aprendizado mútuo entre as pessoas, havendo ainda, a influência natural que as redes impõem entre seus frequentadores, ocasionando a diluição do valor do marketing tradicional. É frente a esse processo ciberevolutivo que surge um horizonte de demarcações de espaços, onde nele se posiciona a soberania do “neoconsumidor.”
O processo de relacionamento, vantagens e desvantagens e o neoconsumidor
Temos visto surgir várias comunidades que reúnem pessoas na internet, na verdade, estamos falando das redes sociais, que vêm se multiplicando na mesma velocidade da convergência cibernética que avança pelo mundo. O twitter está entre as redes sociais que mais se destacam, pois sua facilidade de acesso de qualquer lugar faz com que a maioria dos acontecimentos seja anunciada primeiro no microblog e o fato de usar mensagens curtas faz com que a mesma seja transmitida e retransmitida rapidamente, nesse sentido Thompson (2002, p. 184) afirma que, “O desenvolvimento da mídia aumentou a capacidade dos indivíduos experimentarem, através da quase-interação mediada, fenômenos que dificilmente poderiam encontrar na rotina ordinária de suas vidas,” desta forma, aclaramos a ideia de que vivemos entre a comunicação de maneira geral, bem como as mediações virtuais as quais somos pertencentes.
O atual profissional da comunicação empresarial deve está preparado para enfrentar os desafios de filtragem das informações advindas da internet, fazendo que tais informações cheguem aos setores competentes, bem como aos internautas, trata-se na verdade, de uma readaptação aos novos tempos, pois este cenário constitui-se em passagem entre as tradicionais mídias e a recém chegada cibercultura. Diante desse contexto é interessante apontarmos para algumas vantagens da rede como ferramenta de relacionamento com os internautas:
• Uma inversão dos modelos tradicionais na comunicação empresarial que tinha como base um direcionamento emissor-receptor para um modelo dialético e mais horizontal;
• A comunicação à distância facilita a possibilidade de respostas, às reivindicações que antes estavam foram do alcance empresarial provocando alterações em um contexto de invenções, das técnicas, no trabalho e nos relacionamentos.
• Com a internet surgiu o prossumer, na verdade, qualquer indivíduo com um micro e uma conexão produz e consume informações, produtos, etc. trata-se de um formador de opinião em potencial e a interatividade permite um feedback mais imediato dos receptores da mensagem.
• As empresas que adotam iniciativas de cunho colaborativo no exercício da liderança caminham para uma vantagem competitiva importante.
As redes sociais além de colaborar no gerenciamento do conhecimento também auxiliam a interação mais informal entre as pessoas com isso os processos do conhecimento organizacional de fluxos acontecem de forma mais natural fazendo com que as pessoas executem suas ações de modo proativo, mais inteligente e produtivo, gerando mais riquezas para as instituições.
Contudo, há também alguns pontos negativos que merecem destaque, naturalmente o profissional de comunicação empresarial deve está preparado para enfrentá-los, alguns citados abaixo, para Terra ( p.6):
• Um dos grandes problemas para a comunicação empresarial ainda está no acesso ainda restrito para uma considerável parcela da população com perfil homogêneo, além de uma grande desconfiança a respeito da segurança na internet por parte da maioria das pessoas
• A internet ainda não é sinônimo de alcance cem por cento, nesse sentindo ainda é impossível substituí-la pelas mídias tradicionais, sem falar que o trabalho de internet é contínuo, sobretudo nos aspectos de feeback com o consumidor.
Entretanto, é importante ressaltar que a rede representa um excelente caminho para aqueles que pretendem obter sucesso na comunicação empresarial com seus públicos, afinal, a web apresenta formas interessantes de produção, comercialização, como também uma segmentação interagindo com os mais diversos públicos, ou seja, sem dúvidas, é um meio que pode potencializar relacionamentos, nesse sentido Castells(2004, p.256) afirma que, “isso significa que a internet é ¬– e será mais ainda mais – o meio de comunicação e de relação essencial sobre o qual se baseia a nova forma de sociedade que já vivemos – aquela que eu chamo de sociedade em Rede. ”
Estamos em novos tempos, mais precisamente na Era da Informação, na Era do neoconsumidor, num instante em que a comunicação e as trocas de experiência ganharam seu espaço e tornaram-se diferencial no mundo dos negócios. Nos idos anos setenta e oitenta as informações partiam dos grandes grupos de Empresas para a sociedade, era a chamada comunicação de massa, hoje em dia ocorre também o contrário, a comunicação parte das massas para a própria massa por meio de uma rede incontrolável de computadores e a empresa que quiser um lugar perto dos seus consumidores devem está atenta a esse fenômeno revolucionário, chamado internet.
“ O resultado concreto da articulação existente entre o modo de produção capitalista e as tecnologias de comunicação e informação: uma sinergia que alimenta a acumulação de capital financeiro numa economia de interconxões eletrônicas.” (Moraes, 2004, p.189)
As empresas de forma geral, num futuro próximo, vão aderir a tendência croundsorcing na qual seu processo de inovação torna-se aberto aos consumidores o que seria uma tentativa de se manterem ativas. A internet é um novo paradigma que constituem em sua essência uma nova base de trabalho, negociações e de iteratividade com o consumidor, conforme afima Moraes (2004) na citação acima.
Considerações finais
A sociedade midiatizada do século XXI está em posição bem mais privilegiada que as de outras épocas, na verdade nunca tivemos tanto acesso às informações das mais variadas procedências e à medida que há expansão da internet, bem como o acesso às novas tecnologias pelas classes menos favorecidas aumenta a tendência groundswell e diminue os espaços das empresas abrindo espaço para um cenário mercadologico mais democrático.
As novas tecnologias e as redes sociais cibernéticas chegaram para ficar e com elas o consumidor se depara com novas possibilidades comportamentais nesta nova configuração do relacionamento entre os públicos e dos públicos com as Organizações. A comunicação de massa passa a ser algo questionável e compreender cada vez mais o sentido de segmentação mercadológica passa a ser prioridade para quem quer permanecer ativo no mercado.
Por fim, esse ponto de vista visa mostrar que a comunicação empresarial deve buscar novos horizontes, pois as formas de pensar e agir estratégicamente nas empresas exigindo das mesmas repensar os fluxos de comunicação, sem esquecer das mídias tradicionais, mas levando a Internet como parte integrante de um processo irreversível de crescimento.
REFERÊNCIAS
BUENO, Wilson da Costa. Comunicação Empresarial: teoria e pesquisa – Barueri, SP: Manole, 2003.
CASTELLS, Manuel. Internet e sociedade em rede. In: MORAES, Denis de. (org.) Por uma outra comunicação. 2ª Ed. Rio de Janeiro: Record, 2004.
CARVALHO, Cíntia e MONTARDO, Sandra Portella. Reputação e Web Semântica: estudo comparativo de buscas aplicados aos blogs. Disponível em: http://revistacmc.espm.br/index.php/revistacmc/article/viewFile/210/172. acesso em 25/04/2010.
LAFUENTE, Florência. Oráculos e o que revelam. HSM Management, São Paulo, n.78, jan-fevereiro de 2010.
LÉVY, Pierre. A Inteligência Coletiva. São Paulo: Loyola, 1998.
______. Cibercultura. São Paulo: Ed. 34, 1999.
LINDSTROM, Martin. A lógica do consumo: verdades e mentiras sobre por que compramos — Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009.
LI, Charlene. E BERNOFF, Josh. Fenômenos sociais nos negócios: vença em um mundo transformado pelas redes sociais – Rio de Janeiro: Elsevier, 2009.
MORAES, Denis de. O capital da mídia na lógica da globalização. In: MORAES, Denis de. (org.) Por uma outra comunicação. 2ª Ed. Rio de Janeiro: Record, 2004.
TERRA, Carolina. As relações públicas e as novas tecnologias de informação e de comunicação. Disponível em: http://www.eca.usp.br/caligrama/n_2/9%20CarolinaTerra.pdf. Acesso em 25/04/2010.
THOMPSON, John B. A mídia e a modernidade: uma teoria social da mídia. 4ª Edição.
Petrópolis: Editora Vozes, 2002.
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- Patrícia Morais
- Relações Públicas. Mestre em Sociologia. Pesquisadora do Grupo de Pesquisa em Processos e Linguagens Midiáticas - GMID/PPGC/UFPB. Professora de Relações Públicas da UFPB. Muito bem casada e Filha de Deus.
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